"Humanz"

Ano: 2017
Selo: Parlophone / Warner Bros.
Gênero: Hip-Hop, Rap
Para quem gosta de: Gnarls Barkley, De La Soul
Ouça: Ascension, Saturnz Barz e Submission
Nota: 6.0

Resenha: “Humanz”, Gorillaz

O excesso sempre foi o principal problema de Damon Albarn com o Gorillaz. Excesso de colaboradores, excesso de referências, excesso de músicas e diferentes gêneros a serem interpretados a cada novo álbum de inéditas do coletivo virtual. Com Humanz (2017, Parlophone / Warner Bros.), quinto álbum de inéditas da banda britânica não poderia ser diferente. São pelo menos 20 composições inéditas – 26 na edição deluxe –, mais de duas dezenas de colaboradores e a busca por um material não linear, como uma fuga do som apresentado no antecessor e maduro Plastic Beach (2010).

Produzido entre setembro de 2015 e o final de 2016, o quinto álbum de estúdio do Gorillaz traz alguns dos principais nomes do Hip-Hop, R&B e música alternativa que surgiram nos últimos cinco anos. Estão lá nomes como Vince Staples, parceiro na inaugural e intensa Ascension, Popcaaan na pegajosa Saturnz Barz, o rapper D.R.A.M. em Andromeda, Jehnny Beth, vocalista do Savages, na derradeira We Got the Power, e um poderoso encontro entre Danny Brown e Kelela na ótima Submission.

Muito além do imenso time de novatos, Humanz ainda se abre para a chegada de um time de veteranos do R&B/Soul. É o caso de Grace Jones na crescente Charger, ou mesmo de Mavis Staples em Let Me Out, faixa encorpada pelas rimas do rapper Pusha T. Nada que se compare ao encontro da banda virtual com os norte-americanos do De La Soul. Em uma clara tentativa de replicar o sucesso do hit Feel Good Inc., Damon Albarn e o time de colaboradores passeiam por entre décadas, colecionando referências que vão do Hip-Hop à música eletrônica.

Surgem ainda colaborações como o estranho encontro com Benjamin Clementine em Hallelujah Money, composição escolhida para anunciar o novo álbum de inéditas da banda, ou mesmo Carnival, um R&B sujo que se abre para a chegada do convidado Anthony Hamilton, artista que já trabalhou ao lado de Mark Ronson e Al Green. Um verdadeiro ziguezaguear de ideias, conceito assumido pelo coletivo britânico desde o homônimo disco lançado em 2001, mas que acaba crescendo de forma instável na pluralidade do presente registro. Uma diversidade que torna a audição do álbum caótica.

À medida que o disco avança, Damon Albarn claramente parece perder o controle. Mesmo as coletâneas D-Sides (2007) e The Singles Collection 2001–2011 (2011) indicam maior coerência na composição dos versos e arranjos. Um cuidado preservado apenas no instantes em que Albarn e os parceiros de banda mergulham no R&B de Kelela e Peven Everett, dono da ótima Strobelite, fazendo do restante do trabalho um amontoado de formas e ideias instáveis.

Confuso, o presente disco soa como se cada integrante do Gorillaz – 2-D, Murdoc Niccals, Russel Hobbs e Noodle – fosse responsável por uma porção específica do trabalho. Não por acaso, a imagem de capa do álbum se divide em quatro porções diferentes – uma para cada integrante da banda. Da abertura do disco, em Ascension, passando por músicas como Saturnz Barz, Submission e Let Me Out, o quinto álbum do Gorillaz parece perder o controle lentamente. Mais do que uma obra de certezas, como Demon Days (2005) e Plastic Beach (2010), Humanz cresce como um simples agregado de ideias.

 

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