"II"

The Courtneys

Ano: 2017
Selo: Flying Nun
Gênero: Rock Alternativo, Dream Pop
Para quem gosta de: Charly Bliss e Chastity Belt
Ouça: Minnesota e Mars Attack
Nota: 8.0

Resenha: “II”, The Courtneys

A guitarra estridente e suja de Silver Velvet anuncia: sejam bem vindos ao segundo álbum de estúdio do grupo canadense The Courtneys, II (2017, Flying Nun). Perfeito resultado da parceria entre Courtney Garvin (guitarras), Sydney Koke (baixo) e Jen Twynn Payne (bateria, voz), o sucessor do registro homônimo lançado em 2013 indica um claro amadurecimento do grupo original de Vancouver, cuidado que se reflete em cada uma das canções do presente disco.

Misto de power pop, grunge e garage rock, cada faixa do registro parece flutuar por entre épocas, indo da crueza e boas melodias que marcam a década de 1970 ao som raivoso e sujo que caracteriza o início dos anos 1990. Prova disso está na dobradinha formada por Country Song e Minnesota, composições que soam como um encontro improvável entre os veteranos do Big Star com a boa fase de Kim Deal no segundo disco do The Breeders, Last Splash (1993).

A mesma energia se repete com naturalidade na crescente Tour, quarta faixa do disco. Uma solução de batidas e guitarras rápidas, completas com o canto doce de Payne. Trata-se de um claro preparativo para o material que chega logo em sequência com a pegajosa Lost Boys, uma das canções mais acessíveis do trabalho e uma perfeita síntese da poesia romântica que costura o disco, base de cada uma das dez composições que dão vida ao projeto.

Em músicas como Virgo e 25, curioso perceber como cada instrumento parece trabalhado de forma isolada, com merecido destaque. Instantes em que as guitarras de Garvin ocupam território, criando pequenas brechas para a bateria de Payne e o baixo pulsante de Koke. Uma perfeita comunicação do trio dentro de estúdio, como se cada integrante da banda soubesse exatamente como explorar ao máximo o próprio instrumento, evitando possíveis tropeços.

Coeso em toda sua execução, II reserva para os instantes finais algumas das principais composições produzidas pelo The Courtneys. É o caso da semi-declamada Iron Deficiency, música que soa como um improvável encontro entre o pop-punk do X-Ray Spex e o Sonic Youth dos primeiros anos de carreira. Nada que se compare à energia da acelerada Mars Attack, música originalmente lançada como single em 2014, mas que ganha novo enquadramento para o disco.

Delicado resumo do material que ocupa e cresce no interior da obra, a derradeira Frankie parece flutuar em meio a versos românticos, guitarras sempre carregadas de efeitos e um delicioso coro de vozes. São pouco mais de quatro minutos de versos confessionais, garantindo ao disco um fechamento coerente, intenso e sujo, como um convite a revisitar toda a sequência de composições que se espalham do primeiro ao último instante do álbum.