"Images"

Ano: 2017
Selo: Yellow K.
Gênero: Dream Pop, Ambient Pop
Para quem gosta de: Beach House, Chromatics
Ouça: Beyond The Clouds, To Be Fair
Nota: 8.1

Resenha: “Images”, You’ll Never Get To Heaven

Imagine se os integrantes da dupla Beach House e Grimes da fase Visions (2012) decidissem entrar em estúdio sob a produção do músico Johnny Jewel (Chromatics, Glass Candy). Quão interessante seria essa parceria? Embora restrita ao campo das ideias, essa talvez seja a melhor forma de traduzir a sonoridade etérea que escapa das canções produzidas pela pela dupla canadense Chuck Blazevic e Alice Hansen em Images (2017, Yellow K.), segundo e mais recente álbum de inéditas do You’ll Never Get To Heaven.

Produzido em um intervalo de quase três anos, o sucessor do maduro Adorn EP (2014), traz de volta a mesma leveza e melancolia que abastece o trabalho da banda desde o homônimo álbum de estreia, lançado em 2012. Músicas embaladas pela mesma atmosfera densa de diferentes clássicos do Dream Pop assinados por nomes como Mazzy Star e Galaxie 500. Um som propositadamente arrastado, mas não menos detalhista, efeito da lenta sobreposição dos instrumentos e vozes tratadas como um único bloco de experiências.

Obra de detalhes, produzido para ser apreciado sem pressa, Images sutilmente se parte em duas porções específicas de canções. Na primeira metade delas, músicas como White Light e Still. Instantes em que a dupla canadense se concentra na produção de um som denso, quase intransponível. São sintetizadores obscuros, como verdadeiras nuvens de sons atmosféricos. Mais do que produzir um verso ou tema específico, a beleza está na forte comunicação entre os elementos, proposta que se repete ainda dentro da ambiental Vapor Frames.

Em músicas como To Be Fair, Shared Dreams e a delicada faixa-título do trabalho, a busca declarada pela composição de formas detalhistas. São versos cíclicos, guitarras sempre misteriosas e sintetizadores oníricos. Elementos que surgem e desaparecem a todo instante, como delírios transformados em música. Composições que se espalham de forma a revelar um imenso labirinto de possibilidades. O mesmo cuidado assumido por Blazevic e Hansen durante a construção do último EP da banda.

Sétima canção do disco, Beyond The Clouds acaba incorporando esses dois conceitos distintos com naturalidade. Ao mesmo tempo em que a base da composição se projeta de forma cerrada, o uso inteligente dos sintetizadores e vozes arrastam o ouvinte para dentro de um cenário marcado pela leveza e fino polimento dos arranjos. Intimista, a letra encorpada pela voz doce de Hansen reforça ainda mais o cuidado em torno da faixa, apontando a trilha emocional que orienta toda a segunda metade do disco.

Envolvente, Images segue um caminho particular em relação a outros exemplares recentes do Dream Pop. São composições que tocam de leve a ambient music, como se a música produzida pela dupla canadense se esfarelasse de forma lenta no ar. Minúcias, arranjos enevoados e pequenos paredões de ruídos que sutilmente flutuam em torno do ouvinte, como se o material produzido por Chuck Blazevic e Alice Hansen desde o primeiro álbum de inéditas alcançasse um novo resultado.

 

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