"In a Poem Unlimited"

Ano: 2018
Selo: 4AD
Gênero: Indie Rock, Rock Alternativo
Para quem gosta de: St. Vincent e EMA
Ouça: Pearly Gates, Rosebud e M.A.H
Nota: 8.5

Resenha: “In a Poem Unlimited”, U.S. Girls

Com o lançamento de Half Free, em setembro de 2015, Meghan Remy parecia ter alcançado um novo estágio criativo, talvez o ápice da carreira como criadora e líder do U.S. Girls. Embora curioso e naturalmente íntimo de tudo aquilo que foi apresentado pela cantora e compositora desde o início do projeto, faixas como Damn That Valley, Woman’s Work e Window Shades pareciam indicar um maior refinamento por parte da artista, como um produto de toda a experiência acumulada pela musicista desde os primeiros inventos autorais.

Satisfatório perceber em In a Poem Unlimited (2018, 4AD), sexto e mais recente álbum de inéditas da cantora norte-americana, um renovado posicionamento artístico. Do momento em que tem início em Velvet 4 Sale, música que poderia ser de David Bowie, até alcançar a derradeira Time, cada fragmento do registro parece transportar artista e público para um universo completamente transformado, novo, como uma lenta desconstrução do som originalmente explorado em Half Free.

Em uma colorida colagem de ritmos, Remy vai do flerte com a música disco em M.A.H., composição que soa como um encontro entre Blondie e ABBA, prova de ambientações eletrônica e variações da música pop em Rosebud, faixa que lembra Empress Of no elogiado Me (2015), além de resgatar pequenas experimentações testadas no disco anterior, vide peças como Incidental Boogie. Pouco menos de 40 minutos em que o ouvinte é constantemente transportado para um novo território criativo.

O mais interessante talvez seja perceber que mesmo diverso musicalmente, In a Poem Unlimited a todo instante parece capaz de dialogar com o público médio. Prova disso está na atmosfera dançante de Pearly Gates, parceria com James Baley que parece dialogar com o homônimo álbum de St. Vincent, lançado em 2014. Mesmo composições “menores”, caso de Poem, encanta pela forma como os sintetizadores dançam na cabeça do ouvinte, cuidado que se reflete até o fechamento do álbum, em Time, música dominada pela inserção de metais e guitarras versáteis.

Tamanho amadurecimento na composição dos arranjos se reflete também na forma como os versos são delicadamente tecidos por Remy. Composições que refletem a vulnerabilidade da mulher, desilusões amorosas, o poder do feminino, política, sexualidade e até mesmo cenas corriqueiras tratadas de forma descritiva, como em Pearly Gates. Instantes em que a artista original de Toronto não apenas se revela como a protagonista da obra, como converte em música uma série de elementos que abastecem o próprio cotidiano.

Desafiador e acessível na mesma proporção, In a Poem Unlimited reflete o contínuo amadurecimento criativo de Remy no U.S. Girls. Ao mesmo tempo em que incorpora um conjunto de referências transformadoras para o projeto, claro é o desejo da cantora e compositora norte-americana em resgatar diferentes elementos originalmente testados nos primeiros trabalhos de estúdio, caso de Introducing (2008) e Go Gray (2010). Da capa aos versos, uma obra que percorre toda a carreira da cantora, porém, parece sempre apontar para o futuro.

 


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