"Infinite World"

Ano: 2017
Selo: Father / Daughter
Gênero:
Para quem gosta de: Waxahatchee e Mitski
Ouça: The Embers e Fear & Force
Nota: 8.3

Resenha: “Infinite Worlds”, Vagabon

 

Torres com o experimental Sprinter (2015), Sadie Dupuis e os parceiros do Speedy Ortiz na dobradinha¬†Major Arcana (2013) e Foil Deer (2015), Waxahatchee e as can√ß√Ķes do referencial Cerulean Salt (2013), Frankie Cosmos no ainda recente Next Thing (2016). Basta uma r√°pida pesquisa para perceber como a mesma sonoridade explorada h√° mais de duas d√©cadas na cena alternativa dos Estados Unidos continua a reverberar de forma expl√≠cita no trabalho de diferentes artistas.

Uma reciclagem sonora e estética que se revela de forma parcialmente renovada dentro do primeiro trabalho da cantora e multi-instrumentista Lætitia Tamko. Mesmo inspirada pelo som produzido por veteranos como Modest Mouse, Liz Phair e Built To Spill, a artista original de Nova York faz do recém-lançado Infinite Worlds (2017, Father/Daughter), álbum de estreia como Vagabon, um experimento controlado, curioso. Uma obra que muda de direção a todo instante.

Embora cercada por um time de instrumentistas, √© Tamko que produz e grava grande parte do material. Do som clim√°tico que escapa das guitarras em Cold Apartment, ao ritmo euf√≥rico da bateria em Minneapolis, cada fragmento do presente registro se projeta de acordo com as orienta√ß√Ķes da musicista. Vem da√≠ a necessidade de transformar cada faixa em um objeto isolado, como um registro independente, ora √≠ntimo do R&B de Erykah Badu, vide Fear & Force, ora consumido pelos ru√≠dos, caso de 100 Years.

Interessante perceber na composi√ß√£o sens√≠vel dos¬†versos uma forte aproxima√ß√£o entre grande parte das faixas. ‚ÄúEu me sinto t√£o pequena / Meus p√©s mal tocam o ch√£o / No √īnibus, onde todo mundo √© alto ‚Ķ Corra e diga a todos que L√¶titia √© / √Č apenas um pequeno peixe‚ÄĚ, canta em The Embers, m√ļsica de abertura do disco e um perfeito indicativo da poesia particular, sempre intimista, que se espalha com naturalidade ao longo da obra.

S√£o melodias sujas e arranjos empoeirados que servem de base para a constru√ß√£o de faixas dominadas por recorda√ß√Ķes e (‚ÄúEu pensei que voc√™ esperaria‚ÄĚ) e pequenos conflitos pessoais (‚ÄúEu n√£o posso voltar para o lugar onde estava‚ÄĚ). Instantes em que Tamko se comunica diretamente com o ouvinte na forma visceral como as vozes (berradas) e guitarras se posicionam ao longo do disco. Pequenas explos√Ķes que refor√ßam a carga sentimental da cantora, intensa desde o √ļltimo EP, Persian Garden, de 2014.

Entre rupturas (Mal √† L’aise) e provas de um som autoral (Cleaning House), L√¶titia Tamko faz de Infinite Worlds uma experi√™ncia tocante¬†at√© o √ļltimo momento do disco. Longe de um caminho √≥bvio, a cantora e compositora nova-iorquina detalha cada composi√ß√£o como a passagem para um novo e inusitado experimento, mergulhando em f√≥rmulas e varia√ß√Ķes que mesmo perfumadas pelo passado, indicam uma busca declarada da artista pela renova√ß√£o.

 

 

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