"Iteration"

Ano: 2017
Selo: Ghostly International
Gênero: Eletrônica, Synthpop
Para quem gosta de: Neon Indian, Ford & Lopatin
Ouça: Memory e Drywch
Nota: 7.0

Resenha: “Iteration”, Com Truise

Para onde seguir depois de um álbum como Galactic Melt (2011)? A resposta para essa pergunta veio na sequência de obras recicladas pelo norte-americano Seth Haley nos anos que sucedem o lançamento do primeiro álbum de estúdio do artista como Com Truise. Uma limitada adaptação de melodias eletrônicas e temas nostálgicos que passa pela coletânea In Decay (2012), lançada logo no ano seguinte, e cresce na série de EPs, como Wave 1 (2014), assinados pelo produtor nos últimos seis anos.

Com a chegada de Iteration (2017, Ghostly International), segundo e mais recente álbum do artista como Com Truise, um novo passeio em direção ao passado. Entre sintetizadores climáticos, Haley faz da inaugural …Of Your Fake Dimension um indicativo da trilha seguida no restante do disco. São melodias eletrônicas que se conectam diretamente à faixa seguinte, Ephemeron, música que utiliza dos teclados como uma adaptação particular dos demais instrumentos que recheiam o disco.

Em Drywch, terceira música do álbum, ambientações contidas que jogam com a formação de pequenas texturas instrumentais. Um som levemente dançante, por vezes íntimo da obra de Cliff Martinez na trilha sonora de Drive (2011). O mesmo diálogo com o cinema volta a se repetir em Isostasy, música que soa como um estranho remix do trabalho do grego Vangelis em Blade Runner (1982), ao mesmo tempo em que se conecta com a obra de veteranos da Chillwave, caso de Ford & Lopatin e Neon Indian.

Composição escolhida para apresentar o álbum, Memory carrega nas batidas um dos principais elementos da obra de Com Truise: a capacidade de fazer o ouvinte dançar. São pouco mais de três minutos em que sintetizadores e beats precisos garantem ritmo ao trabalho do artista, cuidado que volta a se repetir mesmo nos breves respiros da dobradinha formada por Propagation e Vacuume, canções que mostram a versatilidade do artista na manipulação dos sintetizadores.

A partir de Ternay, oitava faixa do disco, Haley tropeça no principal problema dos últimos registros como Com Truise: a repetição de ideias. Ainda que seja difícil não se impressionar com o trabalho do artista em músicas como Usurper e Syrthio, não há como negar a clara reciclagem de experiências que segue até a construção de When Will You Find the Limit…, composição que utiliza dos quase seis minutos de duração como um estranho diálogo do produtor com o passado da música pop.

O mesmo esmero e busca pela construção de um som acessível volta a se repetir na canção de encerramento do disco. Do momento em que tem início até os últimos acordes, Iteration se espalha em meio a diferentes texturas eletrônicas, respiros e instantes de autorreferência, como se grande parte do material produzido pelo artista no decorrer da obra fosse cuidadosamente adaptado e resumido em cada linha melódica, batida ou sample explorado por Haley.