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Resenha: “Ivete”, Wado

Artista: Wado
Gênero: Nacional, Samba, Alternative
Acesse: http://wado.com.br/

Fotos: Alzir Lima/HollyShot

Depois de flertar com a música eletrônica em Samba 808 (2011), incorporar elementos da “bossa nova” no delicado Vazio Tropical (2013) – obra que conta com a produção do músico Marcelo Camelo –, além de esbarrar na crueza do rock que marca o raivoso (e ainda recente) 1977 (2015), o cantor e compositor alagoano/catarinense Wado regressa ao mesmo território dançante que serviu de base para a construção de obras como A Farsa do Samba Nublado (2004) e Terceiro Mundo Festivo (2008).

Em Ivete (2016, Independente), nono registro de inéditas do veterano, um descomplicado jogo de vozes, rimas, batidas e ritmos que instantaneamente convidam o ouvinte a dançar. Dez composições inéditas em que Wado, inspirado pela voz e energia da cantora Ivete Sangalo – “Ivete é a musa a não ser alcançada, ela é norte, mas não é ela quem canta o disco” – mergulha de cabeça na sonoridade da Bahia e grande parte da cultura tropical que movimenta o Norte e Nordeste do país.

Sem pausas, cada composição parece impulsionar de forma entusiasmada a canção seguinte, fazendo do trabalho uma obra essencialmente dinâmica, atrativa aos mais variados públicos. Da abertura, com Alabama, passando por músicas como Um Passo à Frente, Sexo, Filhos de Gandhi e Você Não Vem, Wado e o time de instrumentistas que o acompanham fazem do álbum um verdadeiro carnaval fora de hora, intenso do primeiro ao último verso.

Embora “descompromissado”, Ivete está longe de parecer um registro que se esquiva da poesia política/social de Wado, marca de obras como Terceiro Mundo Festivo e, principalmente, Atlântico Negro (2009). Um bom exemplo disso está na construção da segunda faixa do disco, Terra Santa / Jesus é Palestino, composição que discute com leveza os conflitos entre Israel e Palestina e uma espécie de “continuação” da música Primavera Árabe, nona faixa de Vazio Tropical e outra rápida incursão pelo Oriente Médio.

Faixa de encerramento do disco, Nós também se distancia da sequência eufórica que caracteriza o primeiro ato do do disco. Trata-se de uma delicada canção de amor, musicalmente íntima do material produzido pelo artista no álbum de 2013. A própria Samba do Amor, oitava faixa do disco, mesmo próxima do som caloroso de Ivete, parece incorporar uma série de elementos originalmente explorados por Wado em parceria com os integrantes do Fino Coletivo. De forma renovada (e quente), Wado finaliza uma obra que flutua entre o passado e o presente da própria discografia.

Difícil não ser arrastado pelo jogo rápido de palavras que invadem Um Passo a Frente ou a guitarra marcada pelo suíngue em Alabama. Entre um verso autoral e outro, adaptações da obra de Gilberto Gil e Moreno Veloso. São pouco mais de 20 minutos de duração, tempo suficiente para que Wado brinque com diferentes estilos musicais – vide a eletrônica leve que costura grande parte da obra – e ainda seja capaz de manter a mesma qualidade que marca toda a sequência de discos lançados nos últimos cinco anos.

 

Ivete (2016, Independente)

Nota: 7.6
Para quem gosta de: Lucas Santtana, Fino Coletivo e Curumin
Ouça: Alabama, Um Passo à frente e Nós