"Joli Mai"

Ano: 2017
Selo: Jialong
Gênero: Eletrônica, Techno, Microhouse
Para quem gosta de: Caribou e Four Tet
Ouça: Face To Face e Carry On
Nota: 7.6

Resenha: “Joli Mai”, Daphni

Em mais de 15 anos de carreira, Dan Snaith vem acumulando uma rica seleção de obras que não apenas prova de diferentes nuances da música eletrônica, como ajudou a estabelecer um vasto conjunto de regras. Das experimentações psicodélicas em Andorra (2007) e Swim (2010), como Caribou, ao minimalismo de Start Breaking My Heart (2001) ou mesmo a explosão de cores e texturas que caracteriza Up in Flames (2003), sob o título de Manitoba, cada novo registro do produtor canadense parece explorar um imenso labirinto de pequenas possibilidades.

Uma vez dentro desse universo de constantes transformações, curioso perceber no Daphni, um dos muitos projetos paralelos de Snaith, a ponte para uma sequência de faixas talvez concisas, como se organizadas em um mesmo núcleo criativo. Prova disso está na sequência de músicas que abastecem o segundo e mais recente álbum de inéditas do produtor, Joli Mai (2017, Jialong), trabalho que conversa diretamente com o antecessor Jialong (2012), lançado há cinco anos.

Parcialmente apresentado ao público durante o lançamento da coletânea Fabriclive 93 (2017), lançada há poucos meses, o registro de 12 faixas e quase 60 minutos de duração atravessa a música techno (Face To Face), bebe de experiências originalmente testadas na House Music do início dos anos 1990 (Tin, Carry On) e ainda encontra no uso de elementos orgânicos – como vozes e batidas sampleadas –, o principal estímulo para a formação de um conceito particular, próprio de Snaith.

Perfeita síntese do trabalho e todas as experiências detalhadas durante a produção do antecessor Jialong, Vulture cresce lentamente, costurando batidas, bases e vozes de forma hipnótica. Brincando com o uso de efeitos binaurais, Snaith vai da forte percussão tribal ao uso de sintetizadores e ruídos metálicos, como um precioso diálogo com faixas como Light e Ye Ye, ambas apresentadas no trabalho passado. Uma lenta sobreposição de elementos, como se o produtor canadense provocasse o ouvinte durante toda a execução do material, criando uma ponte para o restante da obra.

Interessante notar que mesmo dentro desse ambiente fechado, concebido a partir de regras próprias, Daphni cria pequenas brechas para dialogar com outros registros produzidos por ele próprio. Basta voltar os ouvidos para os sintetizadores minimalistas e explícito flerte da canção com o R&B, como uma extensão do material entregue há três anos nas canções de Our Love (2014), último álbum de inéditas do Caribou. Oitava faixa do disco, The Truth é outra que explora a mesma sonoridade, mantendo a atmosfera dançante do presente álbum, porém, provando de melodias que se estendem a nomes como Junior Boys.

Dançante, experimental, pop e torto na mesma proporção, Joli Mai se divide entre a necessidade de Snaith em preservar a mesma atmosfera explorada durante a produção do trabalho passado e, sutilmente, provar de novas sonoridades. Um rico catálogo de ideias que convida o ouvinte a dançar na faixa-título, prova de ambientações sujas na atmosférica Life’s What You Make It, cresce em faixas como Face To Face e Carry On, ou simplesmente joga com os experimentos como a detalhista Xing Tian parece indicar.