"Joyride"

Ano: 2018
Selo: RCA
Gênero: R&B, Pop, Hip-Hop
Para quem gosta de: SZA, Kelela e Ciara
Ouça: Ooh La La, Stuck On Me e Faded Love
Nota: 6.5

Resenha: “Joyride”, Tinashe

Poucos trabalhos anunciados nos últimos anos foram recebidos com tamanha expectativa quanto Joyride (2018, RCA). E não poderia ser diferente. Em um intervalo de quatro anos, tempo em que levou para ser produzido, o segundo álbum de Tinashe em carreira solo passou por tantas alterações, mudanças de datas, idas e vindas que sua entrega parecia cada vez mais distante, quase mitológica. Soma-se a isso o “agravante” de que temos em mãos uma sequência a um trabalho que já nasceu clássico, Aquarius (2014), além de duas ótimas mixtapes, Amethyst (2015) e Nightride (2016), estímulo para a natural euforia em torno do presente disco.

Longe de parecer uma surpresa, porém, contrariando grande parte da expectativa negativa que se acumulou nos últimos meses, Joyride inevitavelmente agrada. Trata-se de uma extensão comercial do som testado pela cantora norte-americana em Nightride. Um misto de canto e rima que brinca com sexualidade, como indicado na própria faixa-título, conflitos sentimentais, vide Salt e He Don’t Want It, e confissões românticas, caso da poesia intimista que invade Faded Love, parceria com o rapper Future.

O grande problema em torno de Joyride acaba sendo a parcial ausência de novidade. Das 13 composições que recheiam o disco, pelo menos três são velhas conhecidas do público — No Drama, Faded Love e Me So Bad —, isso sem contar outras três músicas trabalhadas como interlúdios — Keep Your Eyes on the Road, Ain’t Good for Ya e Go Easy on Me —, limitando, ainda mais, um repertório que já era enxuto. Pouco menos de 40 minutos de duração. Tempo de menos para uma obra que levou tempo demais até ser finalizada.

Ainda assim, nos poucos instantes de pura novidade, Tinashe encanta e cresce. É o caso de Oh La La, quinta faixa do disco. Concebida em meio a samples de Dilemma, colaboração entre Nelly e Kelly Rowland, além, claro, de ruídos que emulam o som de uma cama durante o ato sexual, a faixa sustenta nos versos um dos momentos de maior vulnerabilidade da cantora. “Você sabe que seu lugar é aqui, dentro dos meus braços … Eu preciso de amor, você precisa do seu“, confessa enquanto a base da canção cresce lentamente. Cuidado que também se reflete na derradeira Fires and Flames, uma balada intimista no melhor estilo Mariah Carey em Music Box (1993).

Bem-sucedido encontro com Yukimi Nagano, voz aos comandos do grupo sueco Little Dragon, Stuck With Me é outra composição que transporta Tinashe para um novo território. Um misto de trap, R&B e trip-hop que delicadamente potencializa o canto lançado pela dupla nos momentos finais da música. Instantes de pura leveza, conceito reforçado na ambientação soturna de He Don’t Want It, faixa que mais se aproxima da atmosfera detalhada em Aquarius.

Dividido entre músicas de forte apelo comercial — caso da parceria com Ty Dolla $ign e French Montana, em Me So Bad —, e canções que dialogam com os antigas mixtapes da artista, como Black Water (2013) e Nightride, Joyride escancara o permanente duelo entre Tinashe e sua gravadora, a RCA. Uma obra marcada por boas ideias e instantes de forte transformação, mas que a todo momento parece contida, controlada, como se do mundo de possibilidades anunciadas em Aquarius, o ouvinte fosse obrigado a se contentar com um registro menor, sufocado pelo reducionismo do conforto.