"Just Give In / Never Going Home"

Ano: 2017
Selo: Marathon Artists / House Anxiety
Gênero: Indie Rock, Indie Pop
Para quem gosta de: Alvvays e Girlpool
Ouça: Love Is Dead e I'm Fine
Nota: 7.8

Resenha: “Just Give In / Never Going Home”, Hazel English

Original de Sydney, na Austrália, porém, atuante na região de Oakland, Califórnia, Hazel English passou os últimos dois anos trabalhando na composição de uma série de faixas avulsas. Músicas de essência dolorosa, conceitualmente ancoradas no indie-pop-lo-fi das décadas de 1980 e 1990, estímulo natural para a construção de fragmentos intimistas como Fix, Never Going Home, It’s Not Real e demais criações da artista nos últimos meses.

Delicado resumo do material produzido por English desde o começo da carreira até aqui, Just Give In / Never Going Home (2017, Marathon Artists / House Anxiety) mostra o trabalho de uma artista em pleno processo de evolução. Não se trata de uma obra marcada pela novidade, pelo contrário, um curto acervo que funciona como resumo natural das canções, temas e sentimentos explorados pela artista, como um precioso cartão de visitas.

Como indicado no próprio título do trabalho, parte expressiva do material que abastece o presente disco se concentra em cima das cinco composições — Make It Better, Control, It’s Not Real, I’m Fine e Never Going Home —, que marcam o primeiro EP de inéditas da cantora, lançado em 2016. Um som deliciosamente nostálgico, produto direto das desilusões e principais tormentos que tomaram conta da vida sentimental de English.

Claramente influenciada pelo trabalho produzido por veteranos como The Pastels, Slowdive e Belle and Sebastian, além, claro, de todo um universo de novos representantes da cena alternativa dos Estados Unidos, English se divide entre a inserção de boas guitarras, vozes parcialmente consumidas pelos ruídos e batidas rápidas. Canções que parecem pensadas para grudar na cabeça do ouvinte logo em uma primeira audição.

A novidade acaba ficando por conta de outras cinco composições — seis na versão digital —, que compõem a segunda metade do trabalho, Just Give In. Músicas como a dolorosa Love Is Dead, fragmento intimista que parece emular a boa fase de bandas como The Smiths e The Cure na segunda metade dos anos 1980. Um cuidado que se repete em faixas como More Like You e That Thing, parte do novo acervo de inéditas da cantora.

Rito de passagem necessário para o aguardado primeiro álbum de inéditas de English, Just Give In / Never Going Home joga com a emoção do ouvinte sem necessariamente apresentar nada de novo — e isso está longe de ser encarado como um problema. Um som delicadamente honesto, sensível, como um convite a reviver grande parte das experiências, medos e desilusões amorosas que crescem em meio ao som empoeirado do trabalho.