"K.T.S.E."

Teyana Taylor

Ano: 2018
Selo: GOOD Music / Def Jam
Gênero: R&B, Hip-Hop, Soul
Para quem gosta de: Jorja Smith e Tierra Whack
Ouça: Gonna Love Me, Rose in Harlem e WTP
Nota: 8.0

Resenha: “K.T.S.E.”, Teyana Taylor

De todas as canções apresentadas em The Life of Pablo (2016), Fade permanece como uma das mais icônicas. Mesmo que sobreviva de forma independente na composição das batidas e rimas lançadas por Kanye West, parte expressiva do sucesso e boa repercussão em torno da faixa vem da bem-sucedida parceria com a cantora/atriz Teyana Taylor no clipe da canção. Um ato de profunda entrega e interferência colaborativa, como se a artista nova-iorquina delicadamente se apoderasse da obra do rapper.

Satisfatório perceber nas canções de K.T.S.E. (2018, GOOD Music / Def Jam), segundo e mais recente álbum de inéditas da cantora, um perfeito exemplar dessa mesma força criativa. Parte da prolífica sequência do “Wyoming Sessions”, série de obras produzidos e apresentados por West em um intervalo de poucas semanas, o registro de oito faixas mostra não apenas o domínio do rapper norte-americano na composição das batidas, como, principalmente, a entrega de Taylor em estúdio.

Verdadeiro salto criativo em relação ao material apresentado há quatro anos, no debute VII (2014), K.T.S.E. — o nome é uma sigla para “Keep That Same Energy“, em português, “Mantenha Essa Mesma Energia” —, se projeta como um reflexo da alma, sentimentos e referências incorporadas pela cantora desde o início da carreira. De Missy Elliott à Janet Jackson, cada fragmento do disco parece apontar para o passado de forma curiosa, como um resgate criativo do R&B/soul que vem sendo produzido desde o início da década de 1980.

Parte explícita desse diálogo com o passado vem da escolha de Taylor, West e demais produtores do disco — como Mike Dean, Che Pope, Mark Batson e BoogzDaBeast —, em trabalhar os versos de cada canção em meio a samples resgatados de clássicos da música negra dos Estados Unidos. São nomes como Michael Jackson, Sly & the Family Stone e James Brown que acabam servindo de base para a poesia intimista, sempre sensível, lançada pela cantora.

O resultado desse direcionamento essencialmente nostálgico está na entrega de músicas como a delicada Gonna Love Me, Never Would Have Made It e a inaugural No Manners. Composições que passeiam por entre diferentes décadas e temas instrumentais de forma sempre detalhista, cuidado que se reflete até a derradeira (e intensa) WTP, música que ainda utiliza de trechos de uma fala de Octavia St. Laurent, uma das protagonistas no documentário Paris Is Burning (1991).

Delicadamente pensado até o último instante, K.T.S.E. reflete um cuidado talvez maior em relação aos demais lançamentos da série “Wyoming Sessions”. Salve exceções, como a excelente Rose in Harlem, música que lembra o trabalho de SZA em Ctrl (2017), Taylor e os parceiros de estúdio se concentram na produção de uma obra menos calcada nas rimas, fortalecendo a voz e sentimentos detalhados pela cantora. Instantes de pura confissão romântica, versos intimistas e entrega.

 


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