"Last Building Burning"

Ano: 2018
Selo: Carpark / Wichita
Gênero: Rock, Rock Alternativo, Pós-Hardcore
Para quem gosta de: Japandroids e No Age
Ouça: Leave Him Now e Dissolution
Nota: 7.6

Resenha: “Last Building Burning”, Cloud Nothings

Poucas vezes antes o som produzido pelo Cloud Nothings pareceu tão intenso quanto em Last Building Burning (2018, Carpark / Wichita). Quinto álbum de estúdio do grupo de Cleveland, Ohio, o sucessor do mediano Life Without Sound (2017) parte de uma estrutura caótica para alavancar os versos lançados pelo líder Dylan Baldi. Não por acaso, On An Edge foi justamente a canção escolhida para inaugurar o disco. Pouco mais de três minutos em que as guitarras do vocalista e Chris Brown esbarram na bateria instável de Jayson Gerycz, indicativo de toda a estrutura que serve de base para o trabalho.

Em Leave Him Now, segunda música do disco, a mesma entrega e visceralidade, porém, partindo de um claro refinamento melódico. Enquanto pulsam com destaque as linhas de baixo de T.J. Duke, o refrão marcado ganha forma e cresce. “Você tem que sair, sair, sair / Deixe-o agora“, canta Baldi em meio a versos berrados. Instantes em que a banda norte-americana confessa alguma de suas maiores influências, indo do som produzido pelo Nirvana em início de carreira ao pós-hardcore de nomes como Fugazi, referência explícita na bateria seca de In Shame, música que parece resgatada do final da década de 1980.

Vem justamente desse claro desejo em revisitar o passado a empoeirada Offer an End, música que aponta para os trabalhos do The Clash e outros nomes do pós-punk/new wave. Um som ainda enérgico, cru, porém, completo pela pontual inserção de sintetizadores. Instantes de breve respiro que antecedem a força de The Echo of The World. Composição escolhida para apresentar o trabalho, a faixa mostra a completa entrega não apenas da cada colaborador da banda, mas do próprio produtor do disco, Randall Dunn (Sun O))), Marissa Nadler), um especialista na construção de faixas marcadas pelo peso e ruído.

A mesma força ecoa com naturalidade na ensurdecedora Dissolution. Faixa mais extensa do disco, a composição que conta com quase 11 minutos de duração se espalha em meio a blocos de ruídos e arranjos espaçados que parecem dialogar com o mesmo tipo de som produzido pela banda em Pattern Walks, parte do álbum Here and Nowhere Else (2014). Trata-se de um ato marcado pelo experimento, como se Baldi e os parceiros de banda alternassem entre o rock direto que embala os instantes iniciais da faixa e colagens marcadas pela completa abstração.

Com a chegada de So Right So Clean, um parcial regresso à mesma atmosfera de Attack on Memory (2012). Tratada de forma “contida” quando próxima do restante da obra, a faixa mais uma vez regressa ao mesmo pós-hardcore que vem sendo explorado pelo grupo norte-americano desde o início da carreira. Guitarras, batidas e vozes que jogam com os instantes, criando pequenas brechas e respiros criativos que acabam servindo de passagem para o eixo final da canção, tão ruidoso e sujo quanto as demais composições do disco.

Partindo desse turbilhão criativo chega a derradeira Another Way Of Life. Trata-se de um claro regresso ao rock melódico incorporado pela banda durante o lançamento de Life Without Sound, porém, jogando com o mesmo direcionamento cru que embala o presente disco. De fato, difícil não pensar em Last Building Burning como uma resposta ao álbum anterior. Pouco mais de 30 minutos em que Dylan Baldi resgata e amplia o mesmo som enérgico que vem sendo aprimorado pelo Cloud Nothings desde o início da carreira.

 


Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *

Send this to friend