"Lavender"

Half Waif

Ano: 2018
Selo: Cascine
Gênero: Dream Pop, Synthpop, Indie Pop
Para quem gosta de: Hundred Waters, Braids e St. Vincent
Ouça: Silt e Keep It Out
Nota: 7.7

Resenha: “Lavender”, Half Waif

O tempo é um componente fundamental para se deixar guiar pelo trabalho de Nandi Rose Plunkett no Half Waif. Sem pressa, a cantora e compositora norte-americana passou os últimos quatro anos se aventurando na construção de um material essencialmente etéreo, mágico. Camadas de sintetizadores, texturas e vozes melancólicas que servem de base para toda uma sequência de faixas isoladas e obras completas como Koteklan (2014) e Probable Dephts (2016).

Terceiro e mais recente álbum de inéditas da artista nova-iorquina, Lavender (2018, Cascine) não apenas preserva a essência vagarosa reforçada nos antigos trabalhos, como aproxima o Half Waif de um som cada vez mais acessível, pop e acolhedor. Um repertório curto em que Plunkett e os parceiros de banda, os músicos Adan Carlo e Zack Levine, ampliam os próprios limites, fazendo de pequenas confissões românticas um estímulo claro para o fortalecimento dos versos.

Se todo mundo está procurando pelo mesmo abrigo / Por que alguém poderia achar que é ele? / Corpos coletivos tão famintos pelo toque de um estranho / Contato mágico, acredite você não está sozinho“, entrega a letra de Keep It Out, composição em que a poesia sensível de Plunkett amadurece de forma visível, servindo de base para a estrutura rítmica da base. Perceba como cada fração eletrônica ou batida se conecta diretamente aos versos, proposta que garante dinamismo ao trabalho.

Perfeita representação do forte diálogo entre a estrutura melódica e poesia do disco se reflete em Silt, sétima canção do Lavender. Enquanto a letra da faixa reforça a dolorosa entrega de Plunkett — “Se você quiser o meu amor / Eu guiarei você / Eu serei sua âncora / Se eu tivesse apenas a meia-noite para mim / Eu deixaria você entrar” —, pequenos respiros instrumentais, ondulações e batidas crescentes ampliam a força e dramaticidade em torno da música.

É como se Plunkett e os parceiros de banda encontrassem um jeito próprio de explorar o mesmo dream pop/synthpop que vem sendo reproduzido de maneira exaustiva por nomes como Hundred Waters, Braids e tantos outros representantes da cena norte-americana. São farelos eletrônicos, sempre minimalistas e sensíveis, que se conectam diretamente ao canto forte da vocalista, estímulo para a formação de músicas como Torches e a etérea Solid 2 Void.

Maior do que qualquer outro álbum já produzido pelo Half Waif, Lavender é claramente um ponto de transição e reposicionamento artístico por parte da banda. É como se o trio nova-iorquino flutuasse em um cenário de pequenas incertezas, coletando e registrando cada nova sensação ou possibilidade encontrada pelo caminho. Uma espiral melancólica que tem início na inaugural Lavender Burning e silencia apenas no último fragmento poético de Ocean Scope.

 


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