"Letrux Em Noite de Climão"

Ano: 2017
Selo: Joia Moderna
Gênero: Pop Rock, Synthpop
Para quem gosta de: Marina Lima e Mahmundi
Ouça: Coisa Banho de Mar e Além de Cavalos
Nota: 8.5

Resenha: “Letrux Em Noite de Climão”, Letrux

Que engraçado / Sobrou tão pouco / Que tragédia / Foi tudo tanto / Que engraçado / Cê não tá louco / Que tragédia / Eu tô um pouco”. A soturna introdução de Vai Render, faixa de abertura de Letrux Em Noite de Climão (2017, Joia Moderna), pinta um curioso (e dramático) quadro do universo romântico, dançante e entristecido que abastece o primeiro álbum de Letícia Novaes em carreira solo. Entre sorrisos falsos, versos marcados pela libertação, ironia e sussurros eróticos, um convite a mergulhar nas pistas de dança.

Primeiro registro de inéditas da cantora desde o doloroso Estilhaça (2015), último trabalho como integrante do Letuce – projeto montado em parceria com o ex-marido, o músico Lucas Vasconcellos –, o álbum de melodias sintetizadas e forte diálogo com a década de 1980 olha para o passado sem necessariamente parecer datado ou pouco inventivo. Canções de amor, tormentos e personagens que se cruzam em um cenário montado especialmente para a voz e o canto versátil de Novaes.

“Ninguém perguntou por você / Eu ri, te citei mesmo assim / Como quem não quer nada … A gente só serviu no sonho / A gente só prestou dormindo“, canta com sarcasmo em Ninguém Perguntou Por Você, um indicativo da poesia amarga que rege o disco. Composições que atravessam o universo particular de Novaes, como o romance lésbico do eu lírico em Que Estrado (“E que milagre você fez com as duas mãos“), e conversam diretamente com o ouvinte, marca da intimista Amor Ruim (“Existe Amor / Depois do amor / Resiste o amor / Depois do horror“).

Claramente inspirado pela temática da separação, Letrux Em Noite de Climão acaba se distanciando de outros trabalhos do gênero pela pela forma como Novaes explora com leveza e bom humor os versos em grande parte das canções. Músicas como a tragicômica Além dos Cavalos, um divertido retrato de uma personagem que precisa lidar com o arrependimento e nome do ex-namorado tatuado na pele – “Vai doer quem sabe mais ainda / Não aguento mais olhar pra pele / E ver o seu nome tatuado“.

Entre versos cantados em francês, espanhol, inglês e, claro, português, Novaes ainda cria pequenas brechas para a passagem de um time seleto de colaboradoras. São nomes como Ana Cláudia Lomelino, DUDA BEAT e Martha V na quente Que Estrago, além da veterana e clara influência para o disco, a cantora Marina Lima, parceira na dançante Puro Disfarce. Surgem ainda nomes como Thiago Rebello (baixo), Lourenço Vasconcellos (bateria) e a dupla de produtores formada pela guitarrista Natália Carrera e o tecladista Arthur Braganti.

Com um pé nas pistas de dança e outro no completo isolamento de Novaes, Letrux Em Noite de Climão cresce como uma obra equilibrada. São pouco mais de 40 minutos em que a cantora convida o ouvinte a dançar (Flerte Revival), confessa os próprios sentimentos (Ninguém Perguntou Por Você) e encanta pela forma como diferentes conflitos pessoais ganham novo enquadramento (Amor Ruim, Além de Cavalos). Um passo além, firme e decidido em relação a tudo que Novaes havia experimentado na curta discografia do Letuce.

 

Veja também:


6 thoughts on “Resenha: “Letrux Em Noite de Climão”, Letrux

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *

Send this to friend