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Resenha: “Levaguiã Terê”, Vitor Araújo

Artista: Vitor Araújo
Gênero: Experimental, Alternativa, Instrumental
Acesse: http://vitoraraujo.com.br/

 

Os experimentos testados por Vitor Araújo no complexo A/B — 15º  lugar na nossa lista dos 50 melhores discos de 2012 —, estão longe de chegar ao fim. Em Levaguiã Terê (2016, Natura Musical), segundo álbum de estúdio do compositor pernambucano e primeiro registro montado apenas com composições próprias, vozes em coro, arranjos de corda e delicadas melodias tortas servem de estímulo para a construção de um trabalho que ganha novo significado a cada movimento orquestral ou mínima alteração no canto melancólico de seu idealizador.

Inspirado de forma confessa pelo trabalho de artistas como Björk, The Knife, Animal Collective e, principalmente, os britânicos do Radiohead, grande influência de Araújo, o registro de 14 faixas e pouco mais de 70 minutos de duração mostra a busca do multi-instrumentista por um novo mundo de possibilidades, texturas, fórmulas e sonoridades. Batidas e temas eletrônicos que correm em paralelo ao uso de ambientações orquestrais e conceitos íntimos da música de vanguarda.

Conceitualmente dividido de em duas metades, durante todo o primeiro ato, Levaguiã Terê — o nome vem de um pássaro mitológico do folclore indígena —, reserva ao público uma coleção de temas orquestrais, sempre provocativos, intensos. Inaugurado pela crescente Rando Fálcigo: Toque Nº 1, um verdadeiro turbilhão instrumental com mais de nove minutos de duração, o trabalho reflete a todo instante o completo esmero do artista durante a construção e polimento do registro. Fragmentos instrumentais que se destacam com naturalidade mesmo dentro da épica arquitetura da faixa.

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Do uso pontual de elementos percussivos à profunda interferência de metais e instrumentos de sopro, todas as nuances, encaixes e arranjos minimalistas são percebidos com nitidez ao longo do disco. Seja na construção de músicas mais curtas, como Fraxitera: Toque Nº 2, ou na montagem de faixas extensas,  caso de Turvalema: Toque Nº 3, com mais de oito minutos de duração, Araújo e o parceiro de produção, Bruno Giorgi, fazem de cada canção do registro a passagem para mundo de pequenos detalhes.

Passada a divisão criada pelas atmosféricas Espelho / Rotunda e Rotunda / Espelho, Araújo segue em direção ao lado mais experimental e curioso do disco. Livre dos temas “cinematográficos” que ocupam o primeiro ato do trabalho, o pianista encontra no uso da própria voz um poderoso instrumento. Como indicado durante o lançamento de Vuto Flâmego: Canto Nº 3, faixa escolhida para apresentar o álbum, vozes obscuras, retalhos instrumentais e batidas tortas dançam de forma inexata, a cada novo movimento ou ruídos sujo construído pelo compositor.

Em um intervalo de apenas seis faixas, Araújo passeia de forma atenta pelos temas ambientais do Radiohead na fase Kid A (Faxá-Guiã: Canto Nº 2), brinca com a música eletrônica no melhor estilo The Knife dentro do clássico Silent Shout (Vuto Flâmego: Canto Nº 3), e ainda arrasta o ouvinte para dentro de uma labirinto de cores e sons psicodélicos (Arcalandir: Canto Nº 1). Sobram até fragmentos da música erudita explorada pelo artista desde o primeiro álbum de estúdio (Tear Carrandil: Canto Nº 4). Um imenso e propositadamente instável conjunto de ideias, melodias, fórmulas e experiências musicais que mudam de direção a todo instante.

 

Levaguiã Terê (2016, Natura Musical)

Nota: 8.8
Para quem gosta de: Guizado, Radiohead e The Knife
Ouça: Vuto Flâmego: Canto Nº 3 e Rando Fálcigo: Toque Nº 1

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3 thoughts on “Resenha: “Levaguiã Terê”, Vitor Araújo

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