"Life Without Sound"

Cloud Nothings

Ano: 2017
Selo: Carpark / Wichita
Gênero: Rock, Rock Alternativo
Para quem gosta de: Wavves, Japandroids
Ouça: Up to the Surface, Modern Act
Nota: 7.5

Resenha: “Life Without Sound”, Cloud Nothings

O som melancólico, sujo e crescente que escapa da inaugural Up to The Surface mostra que a viagem musical de Dylan Baldi ao passado está longe de chegar ao fim. Faixa de abertura do quarto e mais recente álbum de inéditas da banda norte-americana, Life Without Sound (2017, Carpark / Wichita), a canção segue exatamente de onde o Cloud Nothings parou em Here and Nowhere Else (2014), fazendo do presente disco uma nova de coletânea de músicas resgatadas da década de 1990.

Entre ruídos, batidas fortes e versos que poderiam facilmente ser encontrados em algum clássico do rock alternativo, Baldi e os parceiros de banda parecem brincar com os contrastes, produzindo um som áspero, mas que se completa com a constante interferência de boas melodias e letras pegajosas. Um bom exemplo disso está na dobradinha Things Are Right with You e Internal World, canções que parecem replicar a mesma energia e sonoridade explorada pelo Weezer no debut de 1994.

Em Darkened Rings, quarta faixa do disco, uma passagem direta para o primeiro álbum de estúdio da banda, lançado em 2011. Instantes em que a voz berrada de Baldi se choca contra paredões de ruídos, fazendo da canção um ato completamente insano, silenciado apenas com a chegada de Enter Entirely. Composição mais “pop” do trabalho, a faixa de quase cinco minutos joga com o uso de pequenas quebras rítmicas e mudanças de direção, transportando o ouvinte para diferentes cenários.

Explosiva, Modern Act talvez seja a composição em que os integrantes do Cloud Nothings se completam dentro de estúdio. Batidas e distorções controladas que dançam em torno dos versos angustiados de Baldi. “Eu quero uma vida, isso é tudo que eu preciso ultimamente / Estou vivo, porém sozinho”, detalha a letra da canção, um som atormentado, reflexo de um indivíduo solitário, base de grande parte das canções produzidas pela banda desde o álbum Attack on Memory, de 2012.

A mesma intensidade que abre o disco volta a se repetir em Sight Unseen. Sutilmente temperada por elementos da surf music, a canção repleta de boas guitarras soa como uma possível sobra do colaborativo No Life for Me, trabalho assinado em parceria com a banda californiana Wavves. Um som levemente ensolarado, polido, reflexo da clara interferência de John Goodmanson, produtor do disco e artista que já trabalhou em parceria com bandas como Death Cab for Cutie e Sleater-Kinney.

Para o fechamento do trabalho, a busca por um som contido, lento, mas não menos expressivo. Enquanto Strange Year se revela logo nos primeiros segundos, detalhando pequenos blocos de ruídos que parecem resgatados de algum álbum do Nirvana, Realize My Fate se espalha lentamente, arrastando o ouvinte para dentro de um novo e doloroso fragmento de Life Without Sound. Um encerramento seguro, sóbrio, reflexo da completa maturidade de Baldi.

 


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