"Loma"

Ano: 2018
Selo: Sub Pop
Gênero: Indie, Dream Pop, Rock Alternativo
Para quem gosta de: Shearwater, Low e The Antlers
Ouça: Joy, Relay Runner e Black Willow.
Nota: 7.5

Resenha: “Loma”, Loma

Loma (2018, Sub Pop), álbum de estreia do trio homônimo encabeçado por Jonathan Meiburg, também integrante do Shearwater, e Emily Cross e Dan Duszynski, do Cross Record, é um trabalho que se revela por completo tão logo tem início, na atmosférica Who Is Speaking?. Versos etéreos que se espalham em uma medida própria de tempo, como se o grupo voltasse os esforços para a construção de uma obra que não apenas se revela em pequenas doses, como envolve e conforta o ouvinte.

Interessante perceber que mesmo imerso em uma atmosfera de plena delicadeza e encanto, Loma tenha partido de uma experiência marcada pelo desconforto: a separação de seus realizadores. Ex-namorados, Cross e Duszynski decidiram transportar para dentro de estúdio parte da angústia e experiências acumuladas durante esse período. Não por acaso, parte expressiva da obra se apoia em versos deliciosamente melancólicos, estímulo para o inevitável crescimento do trabalho.

O amor vem desabando no cérebro / Como uma memória roubada / Como um diamante no fundo da terra / Como uma lâmina de desdobramento“, canta em Joy, música que sustenta nos versos a força sentimental que serve de alicerce para o disco. São metáforas e pequenas exposições intimistas, como um convite a explorar a relação particular de Cross e Duszynski, porém, a todo instante, percebendo na relação do ex-casal uma inevitável conexão com a vida sentimental de qualquer indivíduo.

Composição mais extensa do disco, I Don’t Want Children é outra que evidencia o completo esmero e sensibilidade de Cross na construção dos versos. “Eu não quero filhos / Mesmo se quisesse / Eu gostaria deles / Para você … E vendo você, eu veria / Como algumas coisas Invisível / Pode ser visível“, canta de forma quase descritiva, como se olhasse para trás a todo instante, resgatando uma série de elementos (e sensações) extraídas do antigas experiências e conversas com Duszynski.

Desenvolvido sem pressa, em meio a camadas de fino detalhamento instrumental, Loma sustenta na base melódica um complemento natural à poesia de Cross. São tramas acústicas que se perdem em meio a atos espaçados, como um diálogo minucioso com a obra de diferentes representantes do dream pop/pós-rock. Um som hipnótico, cuidado evidente na produção de músicas como Shadow Relief, ou mesmo no peso necessário de Relay Runner e Black Willow.

Verdadeiro labirinto de sensações, Loma é uma obra que naturalmente força a audição do ouvinte durante toda sua execução. Perceba como diferentes histórias, cenas e sentimentos parecem ocultas ao fundo de cada composição, como se Cross e os parceiros de banda fizessem do álbum a passagem para um imenso universo marcado pela completa particularidade dos temas. Como indicado na oitava faixa do disco, uma melancólica jornada de profundo desenvolvimento instrumental e poético.

 


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