"Lotta Sea Lice"

Ano: 2017
Selo: Matador / Marathon Artists / Milk!
Gênero: Rock Alternativo, Indie Rock
Para quem gosta de: The War On Drugs e Kevin Morby
Ouça: Over Everything e Let It Go
Nota: 7.5

Resenha: “Lotta Sea Lice”, Courtney Barnett & Kurt Vile

De um lado, a psicodelia nostálgica, guitarras inspiradas pelo dad rock dos anos 1970/1980 e toda a ambientação letárgica que escapa dos trabalhos produzidos pelo cantor e compositor norte-americano Kurt Vile. Uma extensa seleção de obras que tem início na passagem do artista pelo The War On Drugs, mas que acaba crescendo durante a execução de álbuns como Smoke Ring for My Halo (2011), Wakin on a Pretty Daze (2013) e b’lieve I’m goin down… (2015).

No outro oposto, o bom humor e poesia descomplicada que orienta o trabalho da australiana Courtney Barnett. Guitarras e vozes tratadas com leveza e fina dose de descompromisso, base parta toda a sequência de obras produzidas pela artista de Sydney nos últimos anos, como na dobradinha formada pelos EPs I’ve Got a Friend Called Emily Ferris (2012) e How to Carve a Carrot into a Rose (2013), além, claro, da estreia com Sometimes I Sit and Think, and Sometimes I Just Sit (2015).

Produto da admiração mutua desses dois artistas, Lotta Sea Lice (2017, Matador / Marathon Artists / Milk!), primeiro registro de inéditas da parceria entre Vile e Barnett, traz o que há de melhor no trabalho produzido por cada colaborador. Canções que passeiam descompromissadas por entre décadas, resgatam o que há de mais sorridente e particular no cotidiano da dupla, além de provar de novas sonoridades e possibilidades dentro de estúdio.

Desenvolvido a partir da troca de e-mail entre os dois artistas, o trabalho foi finalizado durante um curto período de residência da dupla em na cidade de Melbourne, na Austrália. Em um intervalo de oito dias, Vile, Barnett e um time de instrumentistas composto por Stella Mozgawa (Warpaint), Janet Weiss (Sleater-Kinney), Rob Laakso (The Violators) e Katie Harkin (Sleater-Kinner, Sky Larkin) deram conta de polir cada uma das nove faixas do disco.

O resultado está na construção de músicas que brincam com a essência musical de cada colaborador. Faixas como o dueto de abertura do registro, Over Everything; a arrastada, ainda que hipnótica, Outta The Woodwork, composição que parece saída de algum clássico dos anos 1970, além do pop rock melódico que cresce na sequência formada por Let It Go e Fear Is Like a Forest, músicas que valorizam as guitarras e vozes de cada colaborador em instantes breves.

Além do precioso material repleto de faixas inéditas e versões como Untogether, do grupo norte-americano Belly, durante toda a execução do trabalho, Barnett e Vile trocam composições, reinterpretando o trabalho um do outro. Exemplo disso está na montagem da cantora para Peepin’ Tom, música originalmente lançada por Vile em 2011, ou mesmo na versão do cantor norte-americano para Out Of The Woodwork, uma das grandes canções de Barnett no EP How to Carve a Carrot Into a Rose.

 

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