"Lust For Life"

Ano: 2017
Selo: Polydor / Interscope
Gênero: Pop, Dream Pop
Para quem gosta de: Lykke Li, Lorde e Beach House
Ouça: Love e 13 Beaches
Nota: 8.0

Resenha: “Lust For Life”, Lana Del Rey

Goste ou não, Lana Del Rey acabou conquistando um espaço que pertence apenas à ela dentro da indústria da música. Na contramão de grande parte das representantes do pop atual e suas composições cada vez mais eufóricas, dançantes e sempre intensas, a cantora e compositora norte-americana segue em uma nuvem de melodias enevoadas, versos carregados de romantismo, excessos e desilusões. Componentes essenciais para o completo sustento das canções que marcam o quarto e mais recente álbum de estúdio da artista, Lust For Life (2017, Polydor / Interscope).

Primeiro registro de inéditas desde o maduro Honeymoon (2015), o trabalho inaugurado pela força musical e poética de Love indica um claro amadurecimento em relação ao último álbum da cantora. Enquanto Del Rey confessa os próprios sentimentos — “Porque eu sou jovem e apaixonada” —, uma densa massa instrumental cobre toda a superfície da canção, lembrando em alguns aspectos o trabalho da dupla Beach House nos dois últimos trabalhos em estádio, Depression Cherry e Thank You Lucky Stars, ambos lançados em 2015.

Criticada durante toda a carreira pela forte deficiência no uso da voz, em Lust For Life, Lana Del Rey parece testar os próprios limites, reforçando o canto em diversos momentos da obra. Um bom exemplo disso está nos falsetes e uso adequado do canto em Cherry, quarta faixa do disco, na dinâmica Get Free, e, principalmente, nas variações que marcam a segunda metade de Coachella – Woodstock In My Mind, música que flerta com o R&B dos anos 1990 não apenas na utilização da voz, mas na forma como as batidas e bases crescem ao longo da canção.

Cercada de colaboradores, Del Rey encara o presente disco como o trabalho mais completo de toda a carreira. Entre parceiros de longa data, caso do amigo A$AP Rocky, responsável pelas rimas em Summer Bummer e Groupie Love, e The Weeknd na faixa-título do álbum, Lust For Life se abre para novos parceiros em estúdio. É o caso de Sean Ono Lennon, em Tomorrow Never Came, e da veterana Stevie Nicks, uma das principais inspirações da cantora em Beautiful People Beautiful Problems, música que sintetiza com naturalidade a força do disco.

A forte interferência durante toda a execução da obra não impede que Del Rey cresça individualmente em diversas composições. Além da já citada Love, sobrevive no parcial isolamento da cantora algumas das principais canções do disco. É o caso de 13 Beaches, música em que reflete sobre a ausência de liberdade, constante perseguição dos paparazzis e fuga dos próprios sentimentos. Um cuidado que se reflete na psicodélica Coachella – Woodstock In My Mind, música que cresce em meio a camadas de efeitos, batidas e ambientações eletrônicas que vão do Trip-Hop ao território psicodélico desbravado por Rihanna em ANTI (2016).

Acompanhada durante toda a execução do trabalho pelo produtor e parceiro de longa data, o músico Rick Nowels (Adele, Lykke Li), Lana Del Rey faz de Lust For Life uma obra claramente segura. Ao mesmo tempo em que prova de novas sonoridades e parceiros no decorrer do álbum, sobrevive na densa ambientação dos arranjos, batidas e vozes etéreas uma clara passagem para o mesmo material apresentado nos três últimos registros de inéditas. Um misto de conforto e fina transformação, como se a cantora soubesse exatamente onde quer chegar.

 


4 thoughts on “Resenha: “Lust For Life”, Lana Del Rey

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