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Resenha: “Macaco Bong”, Macaco Bong

Artista: Macaco Bong
GĂȘnero: Instrumental, Rock Alternativo, Indie
Acesse: https://www.facebook.com/Macaco-Bong

 

Produzida a partir de diferentes recortes, imagens sobrepostas e cores saturadas, o trabalho concebido como capa para o quarto ĂĄlbum de estĂșdio da Macaco Bong diz muito sobre a direção seguida pelo trio mato-grossense. Entregue ao pĂșblico poucos meses apĂłs o lançamento de Macumba AfrocimĂ©tica (2015), o registro de oito cançÔes inĂ©ditas joga com as possibilidades, costurando diferentes ritmos, fĂłrmulas e referĂȘncias em um curto intervalo de tempo.

Movido pela urgĂȘncia dos arranjos, conceito explĂ­cito na inaugural Lurdz, o registro homĂŽnimo faz de cada composição um ato isolado, sempre intenso. Salve exceçÔes, como a extensa Chocobong, grande parte das mĂșsicas no interior do disco se revela em totalidade logo nos primeiros minutos. Um permanente diĂĄlogo entre a guitarra versĂĄtil de Bruno Kayapy e o baixo de Daniel Hortides com a bateria de Daniel FumegaladrĂŁo.

Interessante notar que mesmo esse propositado sentido de urgĂȘncia em nenhum momento interfere na construção de faixas mais complexas, detalhistas. Um bom exemplo disso estĂĄ na segunda canção do disco, Beijim da Nega Flor. De essĂȘncia melancĂłlica, a composição que flerta com a obra de veteranos como Slint e Mogwai se espalha sem pressa, mergulhando na construção de bases melĂłdicas e instantes de maior delicadeza, capazes de estimular a consturção de letras imaginĂĄrias na cabeça do ouvinte.

O mesmo cuidado acaba se refletindo na derradeira Macaco. Em um intervalo de quase seis minutos, Kayapy e os parceiros de banda visitam a mesma sonoridade incorporada pelo Pixies dentro de obras como Bossanova (1990) e Trompe le Monde (1991). Blocos imensos de ruĂ­dos que acabam silenciados em poucos instantes, como se o trio brincasse com o uso de pequenos contrastes, conceito que acaba se repetindo nos quase nove minutos de Chocobong.

TĂŁo versĂĄtil quanto os iniciais Artista Igual Pedreiro (2008) e This is RolĂȘ (2012), o novo ĂĄlbum concentra no segundo bloco de composiçÔes o lado mais inventivo da banda. SĂŁo elementos regionais que se cruzam em Baião de Stoner e Saci Caraquente, o flerte com o heavy metal em Carne Loca, guitarras levemente dançantes na rĂĄpida Distraídos Venceremos, mĂșsica que parece ter saĂ­do de algum disco recente do Queens of The Stone Age.

A principal diferença em relação aos dois primeiros trabalhos da Macaco Bong estĂĄ na forma como grande parte das cançÔes acabam se conectando de forma torta no interior da obra. Lurdz emenda com naturalidade nos ruĂ­dos de Bejim da Nega Flor, Chocobong funciona como base para a construção de Baião de Stoner e Saci Caraquente, enquanto o estouro raivoso de Carne Loca serve de estĂ­mulo para as Ășltimas mĂșsicas do disco.

 

Macaco Bong (2016, Sinewave)

Nota: 8.0
Para quem gosta de: ruĂ­do/mm, Kalouv e Mahmed
Ouça: Macaco, Bejim da Nega Flor e Chocobong

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