"Malli"

Ano: 2018
Selo: Independente
Gênero: Pop, Synthpop, Indie Rock
Para quem gosta de: Rafel Castro, Duda Beat e Letrux
Ouça: La Nave Va e Ladeira
Nota: 7.5

Resenha: “Malli”, Malli

A colorida mistura de ritmos e versos acessíveis sempre fez parte do som produzido por Mali Sampaio. Basta voltar os ouvidos para o primeiro grande single da artista sob o título de Malli, La Nave Va, para perceber a fuga do óbvio e completa versatilidade que embala as canções da cantora, compositora e baixista paulistana. Um misto de axé, pop, rock, música eletrônica, brega e danchall que parece bagunçar a experiência do ouvinte, encontrando melhor resultado e explícito refinamento artístico nas dez composições que embalam o autoibtitulado registro de estreia da musicista.

De essência bem-humorada, o trabalho que conta com produção assinada por Rafael Castro, encontra na leveza dos versos uma forma inteligente de lidar com os principais tormentos da vida adulta. São canções de (des)amor, crises existenciais e conflitos cotidianos capazes de desestabilizar qualquer indivíduo. Um misto de angústia e libertação que ecoa durante toda a execução da obra, como se Malli transformasse as próprias desilusões em música.

Exemplo disso ecoa com naturalidade logo na faixa de abertura do disco, a tragicômica Mais de Um Mês Longe de Casa. Com um pé nos anos 1980, a canção guiada por sintetizadores retro-futurísticos carrega nos versos a necessidade do eu lírico em seguir em frente, mesmo depois de um relacionamento instável. “Vou ter que esquecer suas lembranças / deixar pra trás e continuar na dança“, canta enquanto guitarras, melodias eletrônicas, palmas e vozes em coro se espalham fundo da canção, convidando o ouvinte a dançar.

Já conhecida do público fiel da cantora, Ladeira é outra que prende a atenção do ouvinte sem dificuldades, efeito do som caloroso que se espalha por entre as rimas e curvas rápidas da canção. Um pop torto e musicalmente plural, como se Malli adaptasse o ritmo quente de Ivete Sangalo dentro de uma linguagem própria. Em Desliga, quarta faixa do disco, uma fuga breve desse universo eufórico. São arranjos cuidadosamente planejados, sintetizadores e vozes sensíveis, lembrando as canções produzidas pelo Pato Fu no início dos anos 2000.

Claro que nem todas as composições do disco parecem seguir essa mesma trilha bem-humorada e festiva. É o caso de Não Perturbe, música em que a voz doce de Malli se projeta de forma áspera, por vezes raivosa e crua. “E tanta ternura me sufoca / Choca / Não me perturbe mais / Me deixe um pouco em paz“, canta enquanto a base cíclica se espalha sem pressa, costurando metais e sintetizadores climáticos. Uma espécie de resposta ao personagem machista que a cantora detalha de forma irônica na canção seguinte do álbum, Más Companhias.

Verdadeiro exercício criativo, a estreia de Malli ainda reserva algumas composições curiosas. É o caso da delicada colaboração com Luisa Maita, na semi-orquestral Cartaz, faixa que mais se distancia do restante da obra, além, claro, de Roma, um pop eletrônico que se espalha em meio a vozes carregadas de efeito e colagens instrumentais. Frações da completa versatilidade da cantora e compositora paulistana dentro de estúdio, como um permanente desvendar da própria identidade artística.

 


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