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Resenha: “Mangy Love”, Cass McCombs

Artista: Cass McCombs
Gênero: Indie, Folk, Alternativo
Acesse: http://cassmccombs.com/

 

Em mais de uma década de carreira, Cass McCombs sempre encontrou na força dos próprios sentimentos, medos e confissões os principais ingredientes para a construção de cada novo registro de inéditas. Trabalhos sempre intimistas, caso do inaugural A (2003), disco que apresentou o cantor e compositor californiano no começo da década passada, além dos maduros Catacombs (2009) e Wit’s End (2011), obras que acabaram elevando o som produzido pelo artista a um novo patamar.

Com a chegada de Mangy Love (2016, ANTI-), oitavo álbum em estúdio de McCombs, a sobriedade e nítida experiência do cantor se faz evidente em cada porção do trabalho. São composições em que o músico californiano se revela como um personagem real, em constante movimento, visitando diferentes cenários, seus habitantes e resgatando histórias acumuladas desde o lançamento do duplo Big Wheel and Others (2013), obra em que o artista parecia testar os próprios limites.

Musicalmente versátil, McCombs faz de cada uma das 12 faixas do registro um experimento isolado, testado novas sonoridades e resgatando fórmulas acumuladas desde o início da década passada. Canções como Switch e In a Chinese Valley que tanto poderiam ser encontradas no último álbum do The War On Drugs, Lost In The Dream (2014), como em clássicos da década de 1980, principalmente obras produzidas pelo R.E.M. e até registros que contam com a assinatura de Bruce Springsteen.

Mais do que um amontoado de temas românticos – base de grande parte da discografia do cantor –, Mangy Love mergulha em temas políticos e recentes. É o caso da faixa de abertura do trabalho, Bum Bum Bum. Enquanto os arranjos da canção flutuam com naturalidade, tamanha leveza das guitarras e batidas, nos versos, McCombs detalha um universo de temas urbanos, mergulha no debate sobre racismo e a pressão sofrida pelas minorias e marginalizados nos Estados Unidos.

O mesmo conceito pessimista acaba se repetindo em outras composições ao longo do disco. É o caso de Rancid Girl, música centrada em uma garota e seu vício em heroína; o isolamento explícito nos versos de Opposite House – faixa que conta com a participação da cantora Angel Olsen –, além do caos urbano que ocupa faixas como Low Flyin’ Bird e Cry. Em Medusa’s Outhouse, uma canção que precisa ser observada para além dos limites de estúdio. Trata-se de uma parceria entre McCombs e o diretor Aaron Brown que aproxima o público do cotidiano das atrizes pornô no delicado clipe da canção.

Sereno durante toda a construção do trabalho, McCombs cria uma obra que brinca de forma natural com a percepção do público. Entre melodias detalhistas e reconfortantes, o músico californiano acaba mergulhando de cabeça em um oceano de amargura e descrença. O resultado está na construção de uma obra orquestrada pelos contrastes, capaz de romper com a proposta intimista dos últimos discos do cantor, porém, capaz de aproximar o ouvinte de um universo completamente novo, ainda mais complexo e interessante.

 

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Mangy Love (2016, ANTI-)

Nota: 8.0
Para quem gosta de: Bill Callahan, Kevin Morby e Kurt Vile
Ouça: Medusa’s Outhouse, Bum Bum Bum e Low Flyin’ Bird


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