"Mannequin Trees"

Ano: 2017
Selo: Balaclava Records
Gênero: Pop Psicodélico, Dream Pop
Para quem gosta de: My Magical Glowing Lens e Frabin
Ouça: A Little Closer e Down The Road
Nota: 7.5

Resenha: “Mannequin Trees”, Mannequin Trees

Um pé na década de 1980, um mundo de possibilidades entregues ao presente. Em Mannequin Trees (2017, Balaclava Records), mais recente invento autoral do cantor e compositor sergipano Ícaro Reis, melodias empoeiradas e versos marcados pela forte sensibilidade dos temas acabam servindo de passagem para um ambiente de pura nostalgia, cuidado que se reflete em cada uma das quatro composições que abastecem o curto registro.

Canção escolhida para apresentar o disco, A Little Closer aponta a direção instrumental seguida por Reis durante toda a execução da obra. Instrumentos que se revelam em pequenas doses, valorizando desde a linha de baixo densa que cresce nos segundos iniciais, até a colorida base de sintetizadores, vozes detalhadas sem pressa e instantes de brande psicodelia. Um som tecido de forma sempre minuciosa, atenta, lembrando um encontro entre Toro Y Moi e a lisergia eletrônica do Tame Impala em Currents (2015).

Em Dreamer, segunda faixa do disco, uma fina extensão desse mesmo conceito detalhista e nostálgico. Produzida a partir de pequenas camadas, a faixa de quase quatro minutos faz de cada fragmento instrumental um ato precioso, revelando nuvens de sintetizadores, vozes submersas e guitarras que passeiam pelo pop psicodélico do final dos anos 1960. Um som colorido, mágico, por vezes próximo dos instantes de maior leveza da obra de Júpiter Maçã.

Parcialmente livre das ambientações etéreas que caracterizam o bloco inicial do trabalho, Down The Road segue de forma ritmada, crescente, como a busca de Reis por novas possibilidades. Onde antes brilham sintetizadores e vozes carregadas de efeitos, agora brotam guitarras enérgicas e instantes de maior aceleração. Uma clara continuação do mesmo som testado pela Mannequin Trees durante as gravações do EP ao vivo Cavalo Sessions, lançado há poucos meses.

Para o encerramento do disco, Reis mais uma vezes desacelera, voltando os esforços para a delicada composição dos arranjos que embalam a derradeira Sorry. Enquanto os versos revelam ao público uma poesia esperançosa e melancólica na mesma proporção, guitarras semi-psicodélicas servem de complemento ao canto enevoado do músico sergipano. Um lento desvendar de sensações que conduz o ouvinte até a última nota da canção.

Composto e gravado em um intervalo de apenas 30 dias, o trabalho produzido inteiramente no quarto/estúdio caseiro de Reis delicadamente amplia parte do som que vem sendo explorado pelo músico nos últimos meses. São apenas quatro faixas, entretanto, difícil não encarar o registro como uma obra maior e ainda mais complexa, efeito direto das incontáveis camadas, melodias e ambientações detalhistas que sutilmente crescem ao fundo de cada composição.

 


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