"Music for Installations"

Ano: 2018
Selo: UMC / Opal
Gênero: Ambient, Experimental
Para quem gosta de: Stars of the Lid e William Basinski
Ouça: 77 Million Paintings e I Dormienti
Nota: 8.0

Resenha: “Music for Installations”, Brian Eno

Desde que passou a investir no estudo de ambientações eletrônicas e obras como Ambient 1: Music for Airports (1978) e Apollo: Atmospheres and Soundtracks (1983), Brian Eno foi convidado a trabalhar em diferentes instalações artísticas espalhadas pelo mundo. De projetos contemplativos, como o espaço dedicado à meditação em Berlin, passando por ambientes dedicados à arte contemporânea, caso do Museu de Arte Moderna de São Francisco, sobram locais em que a música do artista britânico se projeta com leveza.

Perto de completar cinco décadas de carreira, Eno decidiu olhar para esse vasto repertório criativo e concentrar parte expressiva dele um único trabalho. O resultado está na produção da extensa Music for Installations (2018, UMC / Opal), uma coletânea de seis discos, 28 composições e quase seis horas de duração em que o cantor, compositor e produtor inglês convida o ouvinte a se perder em um universo de ambientações minimalistas.

Na primeira porção do trabalho — composta por Kazakhstanm, The Ritan Bells, Five Light Paintings e Flower Bells —, um passeio pela boa fase do artista na década de 1980. São melodias detalhistas, cósmicas, como se Eno brincasse com a lenta sobreposição dos sintetizadores. O mesmo cuidado ecoa com naturalidade em 77 Million Paintings. São 44 minutos em que o artista britânico não apenas se entrega ao uso de temas atmosféricos, como transforma a própria voz em um instrumento complementar.

Frações de um mesmo invento autoral, Atmospheric Lightness e Chamber Lightness se espalham em meio a atos alongados, como pinceladas eletrônicas em uma tela que muda a todo instante. Ondulações etéreas que dialogam de maneira explícita com o trabalho de Eno em obras recentes, caso do premiado Lux (2012) e Reflection (2017), obra que o artista inglês contou com o auxílio de um software para a composição das melodias. Um som homogêneo, oposto à sequência formada por I Dormienti e os três atos da experimental Kites.

Mesmo intitulado “Músicas para Instalações”, importante notar que parte expressiva do material não necessariamente foi produzida para uma instalação artística ou projeto específico. São fragmentos isolados ou músicas distribuídas em formato físico durante essas exposições. Não por acaso, Eno decidiu trabalhar os dois últimos discos da coletânea como verdadeiras colchas de retalhos, costurando músicas aleatórias vindas de diferentes fases da própria carreira.

Síntese do brilhantismo de Eno, Music for Installations resgata parte da história recente do músico britânico de forma documental e concisa. São mais de três décadas de experimentos isolados que parecem dialogar com momentos específicos da prolífica carreira do artista. Um longo ato instrumental, mágico, como se cada fragmento do disco, mesmo trabalhado de forma independente, fosse encarado como uma importante peça criativa.

 


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