"Não Para Não"

Ano: 2018
Selo: Sony Music
Gênero: Pop, Dance, Eletrônica
Para quem gosta de: Gloria Groove e Aretuza Lovi
Ouça: Disk Me, Seu Crime e Buzina
Nota: 7.5

Resenha: “Não Para Não”, Pabllo Vittar

O aviso de Pabllo Vittar é claro: “apertem os cintos e tenham todos uma boa viagem“. Segundo e mais recente álbum de estúdio da drag queen maranhense, Não Para Não (2018, Sony Music) cresce como um bem-resolvido passeio pelo que há de mais colorido e quente na música pop atual. Uma divertida colagem de ritmos, ideias e sentimentos que se projetam de forma a grudar na cabeça do ouvinte logo em uma primeira audição, como uma extensão segura de tudo aquilo que vem sendo testado desde lançamento do antecessor Vai Passar Mal (2017).

Inaugurado pelo turbilhão criativo de Buzina, um misto de tecnomelody, forró, k-pop e trap, Não Para Não mantém o ritmo frenético até o último instante do trabalho, em Miragem. São batidas e versos que se despem de qualquer traço de complexidade, arrastando o ouvinte para as pistas em poucos segundos. Um verdadeiro cardápio de hits, reflexo da bem-sucedida colaboração entre a cantora os produtores Rodrigo Gorky, Maffalda, Noize Men e Filip Nikolic, parte expressiva deles, parceiros desde o último álbum.

De essência radiofônica, como tudo aquilo que Vittar vem produzindo desde o início da carreira, Não Para Não encontra em pequenas desilusões amorosas, romances fracassados e histórias de superação a base para grande parte das canções, capturando a atenção do ouvinte sem grandes dificuldades. “Não venha me pedir desculpas / Eu acho que passou da hora / De assumir a sua culpa / Seu crime foi me amar“, canta em Seu Crime, um forró eletrônico que ainda serve de passagem para a já conhecida Problema Seu, primeiro single do álbum.

O mesmo romantismo agridoce ecoa com naturalidade em Disk Me. Versão para On Hold, uma das principais faixas do último álbum de inéditas do trio britânico The XX, I See You (2017), a canção mostra a completa entrega e vulnerabilidade de Vittar dentro de estúdio. “Diz que me ama quando bebe / Mas quando acorda se esquece desse amor / Que acabou / Diz que não encontra outra igual / Nossa ligação perdeu o sinal / Você me usou e me deixou“, cresce a letra da canção em meio a batidas abrasivas e o ruído incessante de um celular que toca ao fundo da canção.

Dona da voz em sete das dez faixas que recheiam o disco, Vittar ainda faz de Não Para Não a passagem para um time seleto de colaboradores. São músicas como empoderada Ouro, parceria com Urias, ou mesmo o misto de pagode e axé romântico de Trago seu Amor de Volta, encontro com o cantor e compositor carioca Dilsinho. O destaque acaba ficando por conta de Vai Embora, colaboração com Ludmilla que dialoga com I Got It, de Charli XCX, com quem a drag contribuiu no último ano para o álbum Pop 2 (2017).

Interpretação autoral e genuinamente brasileira de diferentes articulações do pop estrangeiro, vide passagens pelo som plástico da PC Music, o R&B tropical de Rihanna e as melodias refrescantes de nomes como Major Lazer, Não Para Não amplia de forma significativa o trabalho de Pabllo Vittar. É como se cada composição do disco fosse tratada como um hit em potencial, um novo K.O. ou possível Corpo Sensual, dois dos principais sucessos da cantora. Frações momentâneas e, naturalmente, minuciosas de tudo aquilo que deve orientar o pop nacional pelos próximos meses.

 


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