"Nearer My God"

Foxing

Ano: 2018
Selo: Triple Crown Records
Gênero: Indie Rock, Rock Alternativo
Para quem gosta de: Brand New e Death Cab For Cutie
Ouça: Grand Paradise e Lich Prince
Nota: 8.2

Resenha: “Nearer My God”, Foxing

Entender e explorar com naturalidade o tempo da própria obra está longe de parecer uma tarefa simples. Onde encaixar e trabalhar de forma coerente cada elemento, arranjo ou mínimo fragmento de voz? Um exercício minucioso que se revela de forma inteligente durante toda a execução de Nearer My God (2018, Triple Crown Records), terceiro álbum de estúdio do grupo norte-americano Foxing e uma fina continuação de tudo aquilo que o quarteto vem desenvolvendo desde os dois primeiros registros autorais, The Albatross (2013) e Dealer (2015).

Como indicado na inaugural Grand Paradise, música que alterna entre instantes de fúria e vívido recolhimento, todos os esforços da banda — hoje formada por Conor Murphy, Ricky Sampson, Jon Hellwig e Eric Hudson —, estão na produção de um ato lento, porém, detalhista. Canções montadas a partir de camadas instrumentais e poéticas que refletem o completo brilhantismo do quarteto de St. Louis, Missouri, indicando um cuidado maior do que qualquer outro grupo próximo.

Parte desse claro refinamento artístico do trabalho nasce como resultado da forte interferência criativa de Matt Bayles (Soundgarden, Pearl Jam) e Chris Walla (Death Cab For Cutie, The Decemberists) como produtores do disco. Dois personagens de destaque dentro do rock alternativo norte-americano que aqui se revezam na formação de um material tão nostálgico quanto inventivo. Porções instrumentais que costuram mais de três décadas de referências, resultando em um passeio conceitual que vai do hardcore ao pós-rock melódico do início dos anos 2000.

Broken Social Scene encontra American Football, The Wrens esbarra no mesmo universo criativo do Dismemberment Plan, enquanto ecos de Brand New, Unwound e Les Savy Fav são percebidos a todo instante. Um colorido mosaico de pequenos detalhes e referências anunciadas, mas que em nenhum momento interferem na construção de uma identidade própria da banda, conceito reforçado nos versos sutilmente que invadem o disco. Canções de essência subjetiva, mergulhadas em temas sempre particulares, por vezes enigmáticos.

De fato, ouvir Nearer My God é como se transportar para dentro de um universo íntimo apenas do grupo norte-americano. São canções trabalhadas em uma medida própria de tempo, vide a extensa Five Cups, com mais de nove minutos de duração. Um labirinto instrumental que se espalha e cresce aos poucos, revelando ao público incontáveis camadas e sobreposições rítmicas que jogam com a experiência do ouvinte durante toda a execução da obra, cuidado que se reflete mesmo dentro de faixas mais curtas, caso da detalhista Trapped in Dillard’s.

Guiado pela força das guitarras destacadas em músicas como Lich Prince, Slapstick e Bastardizer, Nearer My God se revela por completo logo em uma primeira audição, entretanto, parece maior à medida que o ouvinte revisita suas canções. Trata-se de uma obra guiada pela força dos sentimentos, conceito que vem sendo aprimorado pelo grupo desde o primeiro álbum de estúdio, porém, reforçado a cada nota ou mínimo sussurro poético que cresce com naturalidade até a derradeira Lambert.