"Neō Wax Bloom"

Ano: 2017
Selo: Brainfeeder
Gênero: Eletrônica, Experimental, IDM
Para quem gosta de: Flying Lotus e Rustie
Ouça: White Gum e Infinite Mint
Nota: 8.0

Resenha: “Neō Wax Bloom”, Iglooghost

Imagine toda a carga de estímulos sonoros/visuais que um indivíduo comum experimenta desde o início da infância até a fase adulta. Uma colorida carga cultural que passa por programas de TV, pilhas de histórias em quadrinhos, animações, jogos de vídeo game, diferentes estilos musicais e tantas outras experiências sensoriais. Duas ou mais décadas de referências que poderiam facilmente cair no esquecimento ou sobreviver como simples memória nostálgica, mas que acabam se transformando nas mãos do irlandês Seamus Malliagh.

Mais conhecido pelo trabalho como Iglooghost, o jovem produtor passou os últimos três anos se revezando na construção de um material dominado pelas cores e forte ruptura conceitual, efeito direto do ziguezaguear de informações, batidas tortas e vozes remodeladas que ocupam cada novo registro de artista. Projetos ainda recentes, caso dos EPs Chinese Nü Year (2015) e Little Grids (2016), ponto de partida para o inédito Neō Wax Bloom (2017, Brainfeeder).

Primeiro trabalho de Malliagh dentro de uma gravadora de médio porte — o selo Brainfeeder, projeto comandado por Steven Ellison (Flying Lotus) e casa de nomes como Thundercat e Kamasi Washington —, Neō Wax Bloom nasce como um verdadeiro turbilhão criativo. São 11 faixas e pouco mais de 40 minutos de duração em que o produtor irlandês muda de direção a todo instante, fazendo da propositada confusão um estímulo necessário para o fortalecimento das faixas.

Do momento em que tem início na crescente Pale Eyes, até alcançar a derradeira Göd Grid, Iglooghost faz de cada composição um plano aberto ao experimento. Sons de pássaros e ruídos metálicos em White Gum, música que lembra o trabalho do britânico SOPHIE; uma metralhadora de vozes e batidas eletrônicas na frenética Bug Thief; sintetizadores, ruídos industriais e melodias típicas de um jogo clássico de vídeo game dos anos 1980 em Zen Champ. Pequenas rupturas que jogam com a interpretação do ouvinte.

Dentro desse ambiente sempre mutável, Malliagh aproveita para estreitar a relação com outros nomes da cena alternativa. É o caso de Teal Yomi / Olivine, parceria com o rapper Mr. Yote, e Infinite Minut, música que conta com a colaboração da cantora/produtora Cuushe, um dos nomes mais interessante do Dream Pop japonês. Surgem ainda músicas como Peanut Choker, composição que transforma a voz em uma espécie de instrumento complementar, ocupando todas as brechas da faixa.

Influenciado de maneira evidente pelo trabalho do conterrâneo Aphex Twin, além, claro, de nomes como Rustie, Ryan Hemsworth, Flying Lotus e outros personagens recentes da cena eletrônica, pop e Hip-Hop, Iglooghost chega até o fim do disco sem necessariamente buscar conforto em um gênero ou cena musical específica. Trata-se de uma obra em permanente transformação, como se Malliagh fizesse da propositada ruptura o principal componente da obra.

 

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