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Resenha: “No Plan”, David Bowie

Artista: David Bowie
Gênero: Rock, Alternativo, Art Rock
Acesse: http://legacy.davidbowie.com/

 

Repleta de alusões à morte, a poesia metafórica de Lazarus, música originalmente lançada como parte do derradeiro Blackstar (2016), último álbum solo de David Bowie, indica a direção seguida no póstumo No Plan EP (2017, Columbia / Sony). Produzido a partir de fragmentos do último registro de inéditas do cantor e compositor britânico, falecido em janeiro do último ano, o trabalho de apenas quatro faixas, três delas inéditas, mantém firme a mesma identidade do som produzido para o capítulo final do artista.

Com produção de Tony Visconti, parceiro de longa data do músico inglês, o trabalho que se apresenta ao público com a extensa Lazarus lentamente abre passagem para os arranjos minuciosos da inédita No Plan, faixa-título do EP. São pouco mais de três minutos em que a voz de Bowie se espalha em meio ao saxofone denso de Donny McCaslin e sintetizadores de Jason Lindner, ambos colaboradores em grande parte das canções lançadas em Blackstar.

Rompendo com a leveza contida na faixa-título, surgem as guitarras de Killing a Little Time, terceira canção do EP. Originalmente apresentada ao público em outubro do último ano, a música dominada pelo ritmo frenético das batidas e vozes talvez seja o registro mais intenso de Bowie desde o material apresentado ao público no álbum The Next Day, de 2013. Instantes em que as guitarras de Ben Monder esbarram no saxofone de McCaslin, resultando em uma composição instável, torta.

Curioso encontrar na confessional When I Met You uma parcial fuga desse mesmo resultado. Livre do jazz-rock que movimenta grande parte do registro, a faixa de encerramento do EP parece dialogar de forma explícita com o passado. Entre guitarras compactas e vozes duplicadas, Bowie passeia pelo mesmo som testado em obras como “Heroes” (1977). Um som decidido, firme, porém, claramente inferior quando observamos o cuidado e a rica produção que marca o restante da obra.

Ponto de partida para a série de coletâneas e registros de inéditas do cantor que devem aparecer nos próximos anos, No Plan EP nasce como uma breve (e coesa) extensão do material finalizado pelo músico britânico no último ano. Do título simbólico – “sem planos” –, passando pelo cuidado explícito na manipulação dos arranjos, o trabalho de apenas quatro faixas confirma a força criativa de Bowie para além dos limites impostos em Blackstar.

 

No Plan EP (2017, Columbia / Sony)

Nota: 7.0
Para quem gosta de: Lou Reed, Morrissey e Brian Eno
Ouça: Killing a Little Time e No Plan

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One thought on “Resenha: “No Plan”, David Bowie

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