"Nídia é Má, Nídia é Fudida"

Nídia Minaj

Ano: 2017
Selo: Príncipe Discos
Gênero: Eletrônica, Experimental
Para quem gosta de: DJ Firmeza e Jlin
Ouça: House Musik Dedo e Mulher Profissional
Nota: 8.2

Resenha: “Nídia é Má, Nídia é Fudida”, Nídia Minaj

Antes mesmo de completar 18 anos, Nídia Borges já havia conquistado um espaço de merecido destaque em diferentes publicações e núcleos especializados em música eletrônica, efeito potencializado pela boa repercussão em torno do EP Danger, lançado em 2015, além, claro, de toda a sequência de faixas previamente assinadas pela artista. Hoje, com 20 anos completos, a produtora que cresceu no Vale da Amoreira, região metropolitana da capital Lisboa continua a se reinventar.

Primeiro registro de estúdio da artista que aqui se apresenta sob o pseudônimo de Nídia Minaj, Nídia é Má, Nídia é Fudida (2017, Príncipe Discos) encontra na força das batidas o principal componente para a formação do trabalho. Trata-se de uma obra curta, pouco mais de 30 minutos de duração, porém, imensa quando observamos a pluralidade de ritmos e diálogos com diferentes universos musicais que servem de inspiração para o desenvolvimento do trabalho.

Da mesma forma que no intenso registro apresentado há dois anos, Minaj continua a se aventurar na colagem de ritmos quentes, como um produto direto da forte influência da eletrônica portuguesa e africana. Uma rica tapeçaria sonora que se aprofunda em elementos do kuduro, kizumba, afro-house, techno e Hip-Hop. Composições marcadas pelo forte ritmo dançante, energia que acompanha o ouvinte até as batidas da derradeira Sinistro.

A principal diferença em relação ao material apresentado em Danger está na energia e força do presente disco. Do momento em que tem início em Mulher Profissional, passando pela construção de faixas como a nostálgica House Musik Dedo, até alcançar músicas como I Miss My Ghetto, Toma e Puro Tarraxo, Minaj transporta para dentro de estúdio a mesma energia de uma apresentação ao vivo, lembrando uma versão menos polida do trabalho da norte-americana Jlin.

Mesmo dentro desse conceito explosivo, Minaj aproveita para produzir uma série de fragmentos instrumentais marcados pela parcial leveza dos arranjos. É o caso da tímida Underground, música que lembra os primeiros trabalhos de Dan Snaith no Caribou ou mesmo a etérea Indian, composição que cresce em meio a vozes que se transformam em instrumentos. Surgem ainda músicas como a curtinha Kilobo, faixa que parece brincar com o minimalismo das batidas e vozes.

Extensão madura do material apresentado há dois anos por Minaj, Nídia é Má, Nídia é Fudida confirma o interesse da artista portuguesa em provar de um som cada vez mais complexo, rico em texturas e temas experimentais, porém, preservando a essência dançante que orienta o próprio trabalho desde os primeiros registros em estúdio. Um convite inegável às pistas, mas que carrega na força das batidas um precioso diálogo com diferentes gerações, ritmos e culturas.

 

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