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Resenha: “No Home of the Mind”, Bing & Ruth

Artista: Bing & Ruth
Gênero: Experimental, Ambient, Drone
Acesse: http://bingandruth.com/

 

Questionado pelo jornalista Philip Sherburne em uma extensa entrevista sobre a origem conceitual, evolução e novos rumos da Ambient Music, Brian Eno respondeu: “Para mim, a idéia central era sobre a música como um lugar que você pudesse visitar. Não uma narrativa, tampouco uma sequência que tenha algum tipo de direção teleológica. É realmente baseado no expressionismo abstrato: em vez da imagem de uma perspectiva estruturada, onde o olho aponta para uma determinada direção, temos um campo, e você pode passear sonicamente sobre esse campo”.

Inspirado de forma confessa pela obra do cantor, compositor e produtor inglês, o pianista nova-iorquino David Moore faz de cada novo álbum do Bing & Ruth a passagem para um cenário dominado por diferentes formas, estruturas instrumentais e melodias que dançam em torno do ouvinte. Oficialmente apresentado ao público durante o lançamento do álbum Tomorrow Was The Golden Age, de 2014, Moore retorna ao estúdio com um time de instrumentistas para a produção de um novo e delicado experimento atmosférico.

Em No Home of the Mind (2017), quinto registro de inéditas do músico norte-americano e primeiro trabalho do Bing & Ruth lançado pelo selo 4AD – casa de artistas como Tim Hecker e Deerhunter –, Moore mais uma vez conduz o ouvinte para dentro de um labirinto dominado por pianos e sons enevoados. Uma lenta sobreposição dos instrumentos que atravessa a obra de Brian Eno, dialoga com o trabalho de compositores como Phillip Glass e Max Richter, até se perder em um universo de formas abstratas.

Obra de repetições, como tudo que Moore vem produzindo nos últimos anos, o registro de dez faixas exige uma audição atenta até que ouvinte perceba todas as nuances e manobras instrumentais que o pianista detalha no interior do disco. Longe de garantir respostas, No Home of the Mind parece pensado de forma que o público se perca dentro dele. Passagens, brechas e espirais que mudam de forma a todo instante. Composições iluminadas por um brilho fosco, como a inaugural Starwood Choker, ou mesmo faixas marcadas pelo tom soturno dos arranjos, caso de Chonchos.

Denso, mas nunca hermético, No Home of the Mind abre espaço para a construção de algumas das composições mais delicadas do músico. Em To How of it Sped, a limpidez das notas que sutilmente escapam do piano de Moore. Na etérea Form Takes, uma verdadeira massa melódica, como se diferentes instrumentos fossem condensados em um imenso bloco criativo. Na derradeira What Ash it Folow Up, um preciosismo minimalista, como se Moore dialogasse com o mesmo conceito testado no álbum City Lake, de 2010.

Desenvolvido em uma estrutura crescente, cada elemento apresentado ao longo do disco acaba servindo de estímulo para a construção da faixa seguinte. Uma corrente de melodias que mesmo conceitualmente próximas, em nenhum momento se repetem. Fragmentos minimalistas, instantes de pura comoção, brechas e tramas experimentais. Ideias que se completam a cada novo ruído ou nota, como se diferentes obras fossem amarradas dentro de um único registro.

 

No Home of the Mind (2017, 4AD)

Nota: 8.0
Para quem gosta de: Brian Eno, Jefre Cantu-Ledesma e Benoît Pioulard
Ouça: Starwood Choker, To How of it Sped e Chonchos