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Resenha: “Nothing Feels Natural”, Priests

Artista: Priests
Gênero: Indie Rock, Alternativo, Rock
Acesse: https://priests.bandcamp.com/

 

Lembra como foi a primeira vez que você ouviu um disco do Sleater-Kinney ou qualquer outra música produzida por bandas como Bikini Kill e The Breeders? Um som intenso, sempre caótico, tocante do primeiro ao último segundo. Álbum álbum de estreia do grupo norte-americano Priests, Nothing Feels Natural (2017, Sister Polygon) traz de volta a mesma energia e crueza explorada em outros clássicos da cena alternativa. Vozes, ruídos e curvas improváveis que resultam em uma verdadeira coleção de faixas explosivas.

Produzido em um intervalo de quase cinco anos, resultado de diferentes experiências e registros menores gravados pela banda, caso do EP Bodies and Control and Money and Power, de 2014, o registo de dez faixas e pouco mais de 30 minutos de duração mantém ritmo eufórico até o último segundo. Das batidas secas que abrem o trabalho em Appropriate, passando pelo versatilidade de Nicki, até alcançar o punk cru de Pink White Houseraros são os instantes de calmaria.

Em um ziguezaguear constante de ideias, gêneros e referências, cada composição em Nothing Feels Natural busca conforto em um território musical específico. Em JJ, segunda faixa do disco, são variações entre o rock clássico, o punk e a surf music, uma colagem de ritmos completa pela voz forte, quase gospel, de Katie Alice Greer. Flertes com o jazz na derradeira Suck, o pós-punk sombrio em No Big Bang. Curvas, quebras e alterações permanentes, fazendo do álbum uma obra marcada pela surpresa.

Interessante perceber na construção dos versos uma forte relação temática. São diferentes conflitos, desilusões amorosas, angústias e confissões que partem sempre de uma mesma personagem. Fragmentos de um passado ainda recente, fresco, caso de JJ, música em que Greer canta sobre um antigo desfeito – “Eu escrevi diversas músicas para você / Mas você nunca vai saber, você nunca mereceu”. Memórias e reflexões que vez ou outra esbarram em um universo doloroso, intimista.

Um exemplo claro disso está na própria faixa-título do trabalho. Movida pelo uso de guitarras sujas, por vezes íntimas do som produzido na década de 1980, a canção nasce como resultado de um longo período de depressão de Greer. desejo de mudança em um estágio onde todas as coisas parecem não funcionar direito. “Eu estava realmente deprimida e frustrada. Toda minha vida parecia não dar certo. Essa música nasceu desse sentimento”, explicou no texto de apresentação da faixa.

Direto, cru, Nothing Feels Natural explora o que há de mais comum na passagem para a vida adulta. São conflitos, medos, realizações, tormentos e sentimentos quase banais, mundanos, mas que acabam seduzindo pela completa honestidade e fino toque de descompromisso que orienta a construção dos versos. Composições que atravessam o cotidiano de qualquer indivíduo. Fragmentos tão simples e descomplicados que acabam se tornando necessários.

 

Nothing Feels Natural (2017, Sister Polygon)

Nota: 8.5
Para quem gosta de: Downtown Boys, Savages e Sleater-Kinney
Ouça: Nothing Feels Natural, JJ e Suck

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