"On The Echoing Green"

Ano: 2017
Selo: Mexican Summer
Gênero: Experimental, Dream Pop, Ambient
Para quem gosta de: Grouper e William Basinski
Ouça: A Song of Summer e The Faun
Nota: 8.0

Resenha: “On The Echoing Green”, Jefre Cantu-Ledesma

Muito embora o experimental A Year with 13 Moons (2015) tenha sido o grande ponto de ruptura e transformação na carreira de Jefre Cantu-Ledesma, foi com a chegada de In Summer (2016), registro entregue ao público em meados do último ano, que o produtor californiano ampliou ainda mais o próprio território instrumental. Um permanente estágio de evolução e busca por novas sonoridades que ganha ainda mais destaque em On The Echoing Green (2017, Mexican Summer).

Mais recente invento autoral a abastecer o imenso catálogo de Cantu-Ledesma, o registro de nove faixas e pouco menos de 40 minutos de duração sustenta na densa composição dos arranjos, captações analógicas e ruídos a base para grande parte do trabalho. Um turbilhão instrumental que ultrapassa os limites da ambientação testada pelo músico norte-americano em todo a sequência de obras que vêm sendo produzidas desde a segunda metade da última década.

Clara tentativa do Cantu-Ledesma em se reinventar, On The Echoing Green carrega nas melodias enevoadas e temas psicodélicos de A Song of Summer uma delicada síntese do som produzido pelo artista. Dividida em dois anos distintos, a extensa composição — são mais de 10 minutos de duração —, se espalha em meio a vozes submersas, guitarras e batidas sujas que dialogam com os primórdios do shoegaze, como um resgate da obra do My Bloody Valentine no clássico Loveless (1991).

Quarta faixa do disco, The Faun repete grande parte das mesmas experiências, porém, de forma essencialmente etérea e experimental. É como se o produtor olhasse para o trabalho produzido em A Year with 13 Moons, ao mesmo tempo em que preserva o ritmo e força do presente disco. Alucinações transformadas em música, proposta reforçada na densa base de sintetizadores e sobreposições instrumentais que conduzem o ouvinte para dentro de um novo mundo de sensações.

No restante da obra, um espaço aberto ao uso de pequenos atos musicais. São músicas como a instável Vulgar Latin, composição que se espalha em meio a blocos de ruídos desconexos. Em Autumn, sétima canção do álbum, melodias psicodélicas se escondem em meio a nuvens de distorções, como uma versão resumida do som explorado em A Song of Summer. Uma ponte para a melódica Dancers At The Spring, faixa mais doce do registro.

Para o encerramento do disco, Cantu-Ledesma mergulha na instável composição de Door To Night. São pouco mais de dois minutos em que cantos de pássaros, vozes abafadas, ruídos e colagens acinzentadas se espalham sem pressa no interior da canção. Um resumo involuntário do som que vem sendo produzido pelo músico desde a inaugural In A Copse, mas que acaba crescendo no turbilhão de experiências caóticas que costuram cada uma das canções do presente álbum.