"Ouro"

Ano: 2017
Selo: Independente
Gênero: Pop Rock, MPB
Para quem gosta de: Céu e Bárbara Eugênia
Ouça: Cinematográfico e Partícula de Estrela
Nota: 7.5

Resenha: “Ouro”, Isabel Lenza

Da poesia ensolarada (“Sim para equilibrar / Sim pra somar / Sim para reconstruir / Sim para agir“) e base etérea que marca a inaugural Sintropia, para o rock cru à la The Strokes na melancólica Partícula de Estrela (“Eu não sei você / Mas eu tô indo embora pra bem longe daqui … A minha alma será partícula de estrela“). Em um intervalo de poucos minutos, Isabel Lenza estabelece as regras para o primeiro álbum em carreira solo, Ouro (2017, Independente), jogando com as possibilidades.

Cercada por um time de colaboradores que inclui Pedro Sá (guitarras), Bruno Buarque (bateria), Marcelo Dworecki (baixo), Mauricio Fleury (teclados), o produtor Fabio Pinczowski e até o irmão, Gustavo Lenza, responsável pela mixagem do disco, a cantora e compositora paulistana passeia pelo primeiro registro em carreira solo de forma sempre atenta, curiosa. Canções que exploram diferentes estilos, fazendo do registro um permanente ato de descoberta – seja para o ouvinte ou para a própria artista.

Sem necessariamente fixar residência em um gênero musical específico, Lenza brinca com a própria reinvenção. Prova disso está na pluralidade de Vamos Respirar, música que colide elementos do jazz e reggae em meio a arranjos orquestrais, fazendo a poesia intimista da faixa (“Vamos nos aceitar / Eu te amo“) um precioso elemento de conexão. A mesma flexibilidade romântica se repete ainda no pop nostálgico de Amalgamado ou no refinamento brega que abastece Isso é Castigo.

Pontuado por instantes de pura psicodelia, Ouro carrega no delírio instrumental de Cinematográfico uma perfeita representação desse universo. “Me leva pra longe / Num resgate … Quero ver / Beleza / Quero não / Pensar / Vou fechar Meus olhos / Pode me / Levar”, entrega a letra escapista da composição, fazendo da voz doce da artista um contraponto ao imenso bloco de ruídos e pequenas distorções que crescem ao longo da faixa, sonoridade também evidente na extensa As Coisas Querem.

Surgem ainda composições como Amor é Amor, faixa de versos libertários (“Ele beijou ele / Ele beijou ela / E o que você tem com isso?“) e arranjos coloridos, flertando com a essência da música paraense. Em Incontível, quinta faixa do disco, um reggae-pop que dialoga com os trabalhos de Céu nos dois primeiros álbuns de estúdio. Para a derradeira Temperado e Ameno, um breve diálogo com a música eletrônica, ampliando ainda mais o território desbravado pela artista ao longo da obra.

Doce e melancólico na mesma proporção, Ouro carrega nos sentimentos o componente necessário para o natural crescimento da obra. Instantes em que a voz de Lenza se espalha em meio a versos sufocados pelos próprios tormentos (Partícula de Estrela), confessando pequenos casos de amor ou mesmo fragmentos intimistas (Vamos Respirar, Amalgamado) de forma sempre sensível, como se a cada composição o ouvinte fosse transportado para um novo e delicado cenário.

 

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