"Out in the Storm"

Ano: 2017
Selo: Marge Records
Gênero: Indie Rock, Rock Alternativo
Para quem gosta de: Allison Crutchfield e Frankie Cosmos
Ouça: Never Been Wrong e Silver
Nota: 8.0

Resenha: “Out in the Storm”, Waxahatchee

Em um universo de pequenas repetições e obras cada vez mais sufocadas pela forte similaridade com década de 1990, Katie Crutchfield segue como uma das personagens mais inventivas da cena alternativa dos Estados Unidos. Um cuidado e forte evolução que se reflete a cada novo álbum de inéditas da artista, postura ressaltada no amadurecimento poético que orienta a curta discografia da artista original de Birmingham, Alabama, desde a estreia com American Weekend (2012).

Quarto álbum de estúdio da cantora e compositora norte-americana, Out in the Storm (2017, Marge) não apenas preserva a crueza e força dos primeiros discos de Crutchfield, principalmente o elogiado Cerulean Salt (2013), como amplia consideravelmente o brilhantismo na formação dos arranjos e versos montados pela artista. Pouco mais de 30 minutos em que uma poesia sufocada pela dor, saudade e relacionamentos conflituosos se espalha por toda a extensão do registro.

Eu estava tremendo como uma folha / Eu estava apertando meus punhos / Eu estava perdendo a cabeça, sim / Eu estava dançando com a morte … Por um momento eu não estava perdido“, canta em Recite Remorse, quarta composição do disco e um reflexo da poesia angustiada que alimento grande parte do trabalho. Canções que olham para o cotidiano amargurado, medos e conflitos particulares da artista, sempre próxima do ouvinte,

Entre instantes de raiva, base da inaugural Never Been Wrong (“Todo mundo vai me ouvir reclamar / Todo mundo vai sofrer com minha dor“), e atos de parcial recolhimento, marca da derradeira Fade (“Eu sempre soube que estava errado / Eu despejei tudo / Nunca será suficiente / Eu beijei você adeus“), Crutchfield pinta um doloroso quadro da própria vida sentimental. Histórias que dialogam com a melancolia e isolamento de qualquer indivíduo.

Maior quando observado em proximidade ao último trabalho da cantora, Ivy Tripp (2015), o novo álbum sustenta no uso de boas melodias a passagem para um dos registros mais acessíveis de Crutchfield. Difícil escapar do jogo de guitarras rápidas, batidas e vozes em coro que invadem a radiante Silver. Um cuidado que se repete mesmo nos instantes de maior leveza da obra, caso de Sparks Fly, música que aponta para o passado sem necessariamente parecer pouco inventiva.

Produzido em parceria com o engenheiro de som John Agnello, veterano que já trabalhou ao lado de nomes como Dinosaur Jr., Kurt Vile e Thurston Moore, Out in the Storm esbanja sobriedade e composições marcadas em essência pela força dos sentimentos. Um precioso exercício criativo que confirma o completo domínio de Waxahatchee dentro de estúdio, gigante em cada fragmento de voz ou arranjo sujo que cresce com naturalidade no interior do disco.