"Palo Santo"

Ano: 2018
Selo: Polydor
Gênero: Pop, R&B, Dance
Para quem gosta de: Troye Sivan, Tove Lo e Justin Timberlake
Ouça: Sanctify e All For You
Nota: 7.5

Resenha: “Palo Santo”, Years & Years

Em um universo de obras conceituais, muitas vezes guiadas por uma temática específica, o pop, em sua forma mais honesta, acaba ficando em segundo plano. Longe de qualquer traço de complexidade, porém, ainda preservando uma identidade artística e poesia apurada, é exatamente isso que o grupo londrino Years & Years busca solucionar durante a produção do segundo e mais recente álbum de estúdio da carreira, Palo Santo (2018, Polydor).

Passo seguro em relação ao material entregue pela banda durante o lançamento do antecessor Communion (2015), o novo álbum mostra o esforço do trio formado por Olly Alexander (voz e sintetizadores), Mikey Goldsworthy (sintetizadores e baixo) e Emre Türkmen (sintetizadores e bateria) em traduzir musicalmente sentimentos e experiências humanas – principalmente aquelas relacionadas ao sexo. São poemas que inevitavelmente dialogam com o cotidiano e emoções de seu compositor, porém, se adaptam aos interesses e interpretações de qualquer ouvinte.

Não por acaso, o grupo britânico escolheu justamente a provocativa Sanctify como primeiro single e faixa de abertura do disco. “Então não quebre / Santifique meu corpo com dor / Santifique o amor que você anseia / E eu não vou ter vergonha / Santifica meus pecados enquanto oro“, canta Alexander em uma sequência de versos guiados pela lasciva e adoração (quase religiosa) do eu lírico, reflexo das experiências sexuais do músico inglês, assumidamente homossexual, com homens que se identificam como héteros.

Quente, Palo Santo segue dentro dessa estrutura intensa até o último segundo. São composições em que Alexander, grande responsável pela construção dos versos, se revela por completo, discutindo desde a vulnerabilidade dos próprios sentimentos, como em All For You, até faixas em que transforma os próprios relacionamentos no principal componente criativo, base para a ótima If You’re Over Me.Ontem você disse que eu era único / Mas agora diz que está feito / Pare de me dizer o que eu preciso / Se você acabou comigo“, canta de forma melancólica e, ao mesmo tempo, libertadora.

Curioso perceber que mesmo confessional, por vezes doloroso e contemplativo, Palo Santo em nenhum momento tropeça na mesma morosidade romântica de Sam Smith e outros nomes próximos do pop inglês. Trata-se de uma obra essencialmente dinâmica, pronta para as pistas, cuidado evidente na produção de músicas como Preacher e Hallellujah, além, claro, das já citadas All For You e Sanctify. Canções que vão do pop eletrônico incorporado pelo Disclosure ao mesmo R&B pulsante de veteranos como Michael Jackson e Justin Timberlake.

Parte desse claro dinamismo vem da escolha do trio em trabalhar com um time ainda maior de produtores em relação ao antecessor Communion. São nomes como Greg Kurstin (Sia, Adele), Steve Mac (Ed Sheeran, CHVRCHES) e o velho colaborador, Mark Ralph (AlunaGeorge, Tinashe), parceiros responsáveis por garantir maior dinamismo e versatilidade à obra, principalmente quando os versos de Alexander começam a dar voltas em torno dos mesmos temas e experiências, vide a sequência de músicas que recheiam a segunda metade do álbum. Pop na medida exata.

 


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