"Parallels"

Ano: 2017
Selo: Innovative Leisure / Timetable
Gênero: Eletrônica, Glitch-Hop, Ambient Pop
Para quem gosta de: Shlohmo e Shigeto
Ouça: How We Do e U G
Nota: 7.5

Resenha: “Parallels”, Nosaj Thing

Personagem curioso em uma cena que revelou nomes como Shlohmo, Teebs, Groundislava e Baths, Jason Chung fez da propositada economia dos arranjos, batidas e vozes o principal componente criativo para a construção de uma identidade musical como Nosaj Thing. Um exercício autoral que teve início nas canções de Drift (2009), alcança melhor forma em Home (2013), e ainda prova de novas sonoridades no versátil Fated (2015), trabalho que serviu para aproximar o produtor de outros representantes do hip-hop/eletrônica estadunidense.

Delicada continuação do material que vem sendo produzido pelo artista desde o início da presente década, Parallels (2017, Innovative Leisure / Timetable), quarto registro de inéditas, se entrega ao minimalismo dos elementos, porém, joga com o curioso desvendar de diferentes fórmulas conceituais. Uma obra protegida pelo rótulo óbvio e talvez simplista de “instrumental hip-hop”, mas que passeia por entre décadas, diferentes estilos e pequenas referências estéticas de forma a provocar a interpretação do ouvinte.

Lembrando uma versão esquelética do som produzido por Burial no clássico Untrue (2007), o trabalho de dez faixas e pouco mais de 30 minutos de duração encontra no uso delicado dos ruídos atmosféricos um poderoso componente. São captações enevoadas, vozes submersas e melodias etéreas que se escondem em meio a camadas de um som acinzentado. Instantes em que Chung faz de peças etéreas como Form um objeto a ser desvendado pelo público, como segredos sussurrados de forma cautelosa.

Mesmo dentro desse universo de ambientações demasiado contidas, Parallels está longe de parecer uma obra morosa ou minimamente arrastada. Pelo contrário. É justamente dentro desse labirinto de fórmulas sutis que Nosaj Thing prende a atenção do público. Fragmentos eletrônicos que se espalham em meio a construções cíclicas, como na urbana U G, música que dialoga com 2-step inglês na segunda metade dos anos 2000. Em Get Like, um grave ruidoso que se converte em um ondulado quase silencioso de sensações.

Uma vez dentro desse cenário em branco e preto, Chung se concentra em confortar as vozes e sentimentos detalhados por cada colaborador. Canções como a melancólica How We Do em que a voz de Kazu Makino se converte em instrumento, costurando os sintetizadores e batidas que se espalham pelo interior da faixa. O mesmo cuidado se reflete em Way We Were, música que dança em uma nuvem de sons e melodias empoeiradas, tocando o mesmo R&B psicodélico de Giraffage na mixtape Needs (2013).

Marcado pela delicadeza dos arranjos, batidas e versos confessionais, Parallels nasce como um trabalho que precisa de tempo até ser absorvido integralmente. Talvez menor quando próximo dos inaugurais Drift e Home, o quarto álbum de Chang encanta pela forma como o produtor californiano faz do registro uma propositada fuga da correria diária. Composições que funcionam como a passagem para um ambiente noturno, naturalmente mutável e talvez maior a cada nova audição.

 

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