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Resenha: “Partir”, Nuven

Artista: Nuven
Gênero: Eletrônica, IDM, Experimental
Acesse: https://soundcloud.com/nuven

Fotos: Andre Peniche

Pouco menos de um ano após o lançamento de Choice of a Fiction, EP de cinco faixas apresentado ao público em meados de 2015, o produtor paulistano Gustavo Teixeira decidiu dar vida ao primeiro registro completo do Nuven. Em Partir (2016, Balaclava Records), batidas minimalistas, fragmentos de vozes, samples e ambientações hipnóticas crescem com destaque ao fundo do disco, resultando em trabalho tão íntimo das pistas, quanto de um ambiente essencialmente onírico.

Com Vista e Escape como músicas de abertura do álbum, Teixeira estabelece um verdadeiro catálogo de regras e toda a base que serve de sustentação para o trabalho. Décadas de referências que atravessam a obra de gigantes da IDM — como Four Tet e Aphex Twin —, dialogam com o som produzido por uma série de artistas recentes — caso de The Range, Floating Points e Ryan Hemsworth —, e ainda esbarram em ambientações e temas eletrônicos que vão do R&B e Hip-Hop norte-americano.  

O mesmo som detalhista acaba se repetindo na melancólica Claro. São pouco menos de três minutos em que Teixeira amarra sintetizadores, batidas e guitarras psicodélicas dentro de um mesmo ambiente. Melodias inebriantes que dialogam de forma sutil com o trabalho de artistas como Boards of Canadá, porém, mantendo firme a essência do som produzido pelo paulistano. Um verdadeiro aquecimento para as texturas, colagens e vozes picotadas que chegam logo em seguida na delicada Hold.

Em Trago e Estalo, um jogo de pequenos contrastes. Enquanto a primeira canção mergulha em um ambiente enevoado, contido, logo em seguida, são as batidas e temas coloridos que acabam tomando conta do disco. Um labirinto de sons abstratos, como se a atmosfera densa de Clams Casino e a lisergia de Flying Lotus se encontram dentro de um mesmo ambiente criativo. A mesma colagem de ideias anteriormente testada pelo produtor em músicas como Cute Face e In a Dream, ambas de Choice of a Fiction.

Sétima faixa do disco, Entre Águas mostra o lado mais experimental do trabalho. Movida pela firmeza das batidas, a canção de quase quatro minutos lentamente se espalha em meio a um labirinto de ruídos e texturas eletrônicas. Uma verdadeira massa de sons instáveis, base para interferência direta dos versos assumidos pelo cantor e compositor Ale Sater (Terno Rei) no interior da faixa. Uma coleção de batidas e vozes em bom português, conceito similar ao trabalho elaborado por Lucas Dimitri em Linha Reta, último EP do Formafluida.

Canção escolhida para o encerramento do trabalho, a atmosférica Remoto, parceria com Santiago Mazzoli (Ombu), parece crescer sem pressa, vagarosa, detalhando com naturalidade uma solução de batidas e vozes enevoadas, por vezes melancólicas. Dominada pelo uso de temas entristecidos, a composição se espalha preguiçosa, condensando diferentes fórmulas, influências, ruídos e sons inicialmente testados pelo produtor nos primeiros minutos do trabalho.

 

Partir (2016, Balaclava Records)

Nota: 8.5
Para quem gosta de: Formafluida, ^L_ e Meneio
Ouça: Escape, Estalo e Entre Águas