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Resenha: “Pineal”, Tagore

Artista: Tagore
Gênero: Rock Psicodélico, Alternativo, Rock
Acesse: https://www.facebook.com/tagorebanda/

 

Pineal (2016, Sony Music) é uma viagem que começa antes mesmo que a primeira música do disco, a introdutória Mudo, tenha início. Basta observar a cósmica imagem de capa do álbum, trabalho que conta com a assinatura de Caramurú Baumgartner, para perceber a essência colorida do segundo registro de inéditas da banda comandada por Tagore Suassuna. Guitarras, vozes e versos que bebem de diferentes fontes psicodélicas, fazendo do registro um verdadeiro delírio musical.

Sucessor do álbum Movido a Vapor, de 2014, o novo disco do grupo pernambucano dialoga com o presente da música psicodélica. Composições que visitam diferentes cenas e referências de forma atenta, ampliando o terreno criativo da banda – completa com Julio Castilho (baixo, guitarra e teclados), Caramurú Baumgartner (percussão e teclados), Emerson Calado (bateria), João Cavalcanti (baixo, guitarra e teclados) e Diego Dornelles (baixo, guitarra e teclados).

Claramente influenciado pelas texturas instrumentais e experimentos incorporados por Kevin Parker no Tame Impala, Tagore e os parceiros de banda fazem de cada faixa ao longo do disco um precioso exercício de reverência. Difícil não lembrar de obras como Lonerism (2012) e Currents (2015) ao esbarrar nas guitarras e distorções de faixas como Camelo. A própria Apocalipse Jeans, 11ª canção do disco, nasce como uma referência direta à também lisérgica Apocalypse Dreams.

É justamente essa forte similaridade com o trabalho do grupo australiano, além de outros nomes recentes, como Unknown Mortal Orchestra e Pond, que acaba prejudicando o crescimento de Pineal. Uma constante sensação de que tudo não passa de uma “versão brasileira” do som produzido lá fora, semelhança corrompida na cuidadosa colagem de ritmos pelos goianos da Boogarins e o completo experimento de grupos como Bike e Catavento, também inspirados pelo mesma sonoridade.

Interessante perceber em Reflexo e Ilha Yoshimi, duas das canções que mais se distanciam desse universo, os instantes de maior acerto e beleza da obra. Enquanto a primeira composição se entrega ao experimento, mergulhando em um oceano de emanações lisérgicas, etéreas, a faixa seguinte dialoga de forma explícita com a psicodelia brasileira. Um tempero “brega” e nostálgico que parece resgatar a essência de artistas como Fagner e Ave Sangria, conceito também evidente na hipnótica Pasto.

Passo além em relação ao material apresentado há dois anos, Pineal indica um forte amadurecimento por parte de cada integrante do grupo pernambucano. Não é difícil perceber o completo refinamento dos arranjos e vozes dentro de músicas como Mudo, Reflexo e a própria faixa-título do disco. Uma clara evolução quando voltamos os ouvidos para o som cru que orienta as canções de Movido a Vapor, como se a banda continuasse a testar os próprios limites dentro de estúdio.

 

Pineal (2016, Sony Music)

Nota: 7.5
Para quem gosta de: Boogarins, Bike e Maglore
Ouça: Pineal, Reflexo e Mudo


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