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Resenha: Planeta Terra Festival 2010

Planeta Terra Festival
São Paulo – SP
20 de Novembro de 2010

Vista do palco principal do Planeta Terra Festival

 

Mais de dez horas de música, 15 atrações musicais, acesso à internet, cerveja a um preço justo e acesso a diversas atrações de um parque de diversões. Tudo isso somado a uma organização impecável e ingressos que variavam entre R$ 160,00 e R$ 220,00 (com carteirinha meia-entrada). Com todos estes atributos fica difícil não elogiar o Planeta Terra Festival pela sua quarta edição.

Com um line-up que soube explorar desde artistas já consagrados e ícones da geração anos 90 (The Smashing Pumpkins e Pavement) à bandas independentes ainda frescas como Passion Pit e Yeasayer será difícil outros festivais nacionais superarem essa última edição daquele que já pode ser considerado um dos maiores festivais de música do país.

Passion Pit e um dos melhores shows do Indie Stage

 

Claro que alguns problemas não ficaram de fora. No palco principal som excessivamente alto o que se inverte no palco indie, com shows dotados de som tão baixo que era possível ouvir as pessoas conversarem deixando as apresentações quase que como som ambiente. Além disso, as longas horas na fila para conseguir um lanche desanimavam. Algo que poderia ser solucionado se barracas de alimentação fossem mais dispersas, como aconteceu com os espaços de distribuição de bebidas.

A conscientização ambiental (assunto em voga até nos festivais de música) contou com soluções eficientes durante todo o evento. Frascos para o armazenamento de bitucas de cigarro além de catadores de lixo ativos garantiram um espaço limpo durante o festival. A instalação de espaços para que os visitantes se refrescassem foi outra solução inteligente para afastar o calor que perdurou até o fim de noite.

Empire Of The Sun e a prova de que apenas efeitos visuais não salvam um show

 

Em se tratando de música teve para todos os gostos. Mika com seu pop contagioso e participação massiça do público fez parecer com o evento todo fosse apenas seu show. Para os amantes da música eletrônica Hot Chip e Girl Talk (com uma explosão de papel higiênico em sua apresentação) cativaram até quem não conhecia os grupos. Já quem esperava pelos medalhões (?) do rock independente deve ter saído satisfeito com os shows do Smashing Pumpkins e Pavement (Stephen Malkmus não correspondeu, mas os outros membros da banda não pararam um minuto só).

Sem dúvida o grande destaque da noite foi o grupo francês Phoenix. Com seu indie rock e mesclas de electro pop o grupo fez o público cantar em coro ao som de Liztomania, Rome e 1901. Thomas Mars, vocalista do grupo, esbanjou carisma se jogando, deitando no palco e acima de tudo “nadando” no público. Quem ainda chamou a atenção foi o grupo de Massachussets Passion Pit. Formada em 2008 e munidos apenas de um CD e um EP, o grupo liderado por Michael Angelakos foi dono da melhor apresentação no Indie Stage. A banda contou com um público que além de cantar em coro suas canções fazia com a boca uma tentativa de imitar os característicos sons de teclado nas canções da banda.

Sem dúvida a grande decepção do evento ficou por conta dos australianos do Empire Of The Sun. Mesmo acompanhados de projeções e dançarinas fantasiadas a apresentação não cativou. Parte pela alteração de ritmo das canções por conta do vocalista Luke Steele e também pelo público que se motivou apenas pelo grande sucesso do grupo “Walking On a Dream” .

Membros do Holger cantando junto do público

 

Primeiras atrações do festival as bandas nacionais não deixaram por merecer. Mombojó (mesmo na imensidão do palco principal) abriu com maestria o evento. Os Novos Paulistas e sua gama de participantes fizeram uma apresentação agradável e que divertiu o passeio pelos brinquedos e outras atrações do parque. Até o Hurtmold com seu experimentalismo instrumental contou com um público forte e animou que assistia sua apresentação. Competindo com o show do Of Montreal (primeira atração internacional do dia) a paulistana Holger proporcionou um dos melhores espetáculos do dia. Com uma mistura de indie, afrobeat e axé (!) o grupo cantou e dançou junto do público, em um final onde espectadores e banda entoaram empolgados versos de canções do funk carioca além (é claro) de músicas do grupo.

Ao término do evento (que contou inclusive com ônibus que circulavam entre os principais terminais de São Paulo) ficou apenas o pensamento: “E que venha o Planeta Terra Festival 2011”.

Criador do Miojo Indie, trabalhou como coordenador de Mídias Sociais na Editora Abril, editor de entretenimento e cultura no Huffington Post, editor de conteúdo no Itaú. Pai do Pudim, “ataca de DJ” nas horas vagas e adora ganhar discos de vinil de presente.