"Planetarium"

Ano: 2017
Selo: 4AD
Gênero: Eletrônica, Indie Pop
Para quem gosta de: Sufjan Stevens e
Ouça: Saturn e Jupiter
Nota: 6.5

Resenha: “Planetarium”, Sufjan Stevens, Bryce Dessner, Nico Muhly, James McAlister

Em 2011, poucos meses após o lançamento de The Age of Adz (2010), Sufjan Stevens foi convidado pelo compositor Nico Muhly a participar de um novo projeto na Muziekgebouw Eindhoven, um galeria de arte e teatro localizado na cidade de Eindhoven, ao sul dos Países Baixos. Junto de Bryce Dessner, um dos integrantes do The National, e do baterista James McAlister, o quarteto norte-americano produziu uma extensa peça intitulada Planetarium, trabalho inspirada pela composição do Sistema Solar, seus planetas e diferentes corpos celestes.

Em meados do último ano, cinco anos após a apresentação do quarteto, Muhly decidiu entrar em estúdio para oficialmente registrar a performance. O resultado está na composição de 17 faixas inéditas que passeiam pelo cosmos de forma sempre curiosa, esbarrando na mesma ambientação eletroacústica que vem sendo incorporada por Stevens desde o começo da presente década. Melodias etéreas e arranjos orquestrais que se completam nas letras repletas de significados e temas metafóricos.

Desenvolvido em uma atmosfera homogênea, o registro que conta com mais de 70 minutos de duração em nenhum momento se distancia de uma sólida massa de instrumentos, arranjos e melodias eletrônicas. Uma constante sensação de que Stevens e os parceiros de banda decidiram ampliar a forte carga emocional e texturas originalmente testadas na extensa Impossible Soul. Vozes robóticas, sintetizadores, batidas e inserções minimalistas que mudam de forma a cada novo planeta desbravado pelo quarteto.

Entre instantes de breve respiro e pura serenidade, marca de músicas como a atmosférica Sun e Black Energy, Planetarium acaba encantando nos momentos de maior aceleração e grandiosidade. Um bom exemplo disso está na enérgica Jupiter. São pouco mais de sete minutos em que cada integrante do projeto assume uma posição de destaque, detalhando vozes, batidas, sintetizadores e arranjos de cordas de forma sempre pulsante, proposta que volta a se repetir em músicas como Uranus e, principalmente, nas batidas enérgicas de Mars.

Por se tratar de um espetáculo, pensado como um ato único para as apresentações do quarteto, em estúdio, Planetarium acaba se perdendo em meio a pequenas redundâncias. Prova disso está na série de vinhetas e intervalos entre uma música/planeta e outro. Uma constante sensação de que o grupo parece vagar pelo cosmos sem direção definida. Tropeços que acabam prejudicando o rendimento de faixas grandiosas, caso de Saturn, música que soa como um remix dos mesmos sentimentos apontados em Carrie & Lowell, de 2015.

Mesmo a predominância estética de Stevens acaba prejudicando a construção de uma nova identidade musical para o trabalho. Colaborador em obras de Johnny Greenwood e Ryuichi Sakamoto, Dessner quase desaparece no interior do registro. Mesmo Muhly perde destaque ao longo das canções, sufocado pelos sintetizadores e vozes carregadas de auto-tune do parceiro de banda. Pequenas irregularidades que inviabilizam a construção de um registro que poderia ser ainda maior, digno da temática que orienta as composições.

 

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