"Plush"

Lava Divers

Ano: 2017
Selo: Midsummer Madness
Gênero: Indie Rock, Rock Alternativo
Para quem gosta de: Frabin e Single Parents
Ouça: I Feel You e Forbiden Steps
Nota: 7.5

Resenha: “Plush”, Lava Divers

Não se deixe enganar pela colorida imagem que estampa a capa do primeiro álbum de estúdio da banda mineira Lava Divers, Plush (2017, Midsummer Madness). Por trás da inanimada parede de ursinhos de pelúcia que preenchem a fotografia, uma obra montada a partir de imensos blocos de ruídos, batidas rápidas, distorções e vozes submersas que apontam diretamente para o trabalho produzido por veteranos do rock alternativo que surgiram entre o final dos anos 1980 e início da década de 1990.

Madura continuação do material apresentado há dois anos durante o lançamento do primeiro EP de inéditas da banda, o registro de 11 faixas chega como uma sequência de golpes rápidos, força evidente logo na inaugural I Feel You. Pouco mais de quatro minutos em que guitarras sujas e vozes melódicas brincam com os opostos, resultando em um som enérgico, cru e naturalmente íntimo da obra de gigantes como Dinosaur Jr. e Pixies, referência evidente na segunda canção do disco, a empoeirada Tearsfall.

Em Love Is, terceira faixa do disco, um salto para o começo dos anos 2000. Difícil não lembrar de grupos como The Strokes enquanto Joe Porto (guitarra e voz), Glauco Ribeiro (baixo e voz), Ana Zumpano (bateria e voz) e Eddie Shumway (guitarra e voz) se revezam na produção de um som essencialmente ruidoso. A mesma crueza (e melancolia explicita nos versos) se repete ainda na dobradinha formada por Inside My Eyes e My Boy, essa última, comandada pela voz e sentimentos de Zumpano.

Interessante perceber na curtinha Eddie Shumway Is Dead, sexta faixa do disco, um breve distanciamento desse mesmo universo criativo. Em um intervalo de apenas dois minutos, o quarteto mineiro não apenas rompe com velhas referências, como esbarra na obra de Titus Andronicus e outros nomes recentes da cena independente. Um respiro breve que antecede a avalanche nostálgica de Hash and Weed e Natural Born Liar, composições que servem de passagem para o mesmo universo musical desbravado há mais de duas décadas.

Com a chegada de Gasoline (Time Is Not On My Side), a passagem para um som ainda mais ruidoso, cru. Uma interpretação sombria do mesmo material produzido por grupos como The Modern Lovers e demais veteranos que surgiram ao final da década de 1970. Uma crueza que se repete na faixa seguinte, Great Mistake, composição que mais uma vez dialoga com a obra de J Mascis e seus parceiros de banda, porém, preservando a identidade musical do grupo mineiro.

Parcialmente oculta em meio a camadas de ruídos, a derradeira Forbidden Steps garante ao álbum um fechamento perfeito, como uma evolução natural do som testado pelo grupo no decorrer do trabalho. Entre versos curtos, dolorosamente confessionais, a voz doce de Zumpano tenta respirar em meio a ondas de distorções e batidas lentas, como uma triste despedida do som que vem sendo produzido pela banda desde a inaugural I Feel You.

 

Veja também:


2 thoughts on “Resenha: “Plush”, Lava Divers

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *

Send this to friend