"Pollinator"

Ano: 2017
Selo: BMG / Infectious
Gênero: New Wave, Synthpop
Para quem gosta de: The B-52's, Talking Heads
Ouça: Long Time e Fun
Nota: 7.0

Resenha: “Pollinator”, Blondie

Passada a boa fase entre o final da década de 1970 – Parallel Lines (1978), Eat to the Beat (1979) – e início dos anos 1980 – Autoamerican (1980), The Hunter (1982) –, ficou claro o desequilíbrio em torno da carreira do Blondie. Não por acaso, a banda nova-iorquina decidiu entrar em hiato ao final da mesma década, voltando aos palcos (e estúdios) somente em meados dos anos 1990 com o fraco No Exit (1999). De lá para cá, uma seleção de obras medianas ou pouco inventivas – The Curse of Blondie (2003), Panic of Girls (2011) e Ghosts of Download (2014).

Em Pollinator (2017, BMG / Infectious), 11º álbum de estúdio do grupo nova-iorquino e primeiro registro de inéditas em três anos, uma clara tentativa de se reerguer. Acompanhados de perto pelo concorrido John Congleton (St. Vincent, Franz Ferdinand), Debbie Harry (voz), Chris Stein (guitarra), Clem Burke (bateria), Leigh Foxx (baixo), Matt Katz-Bohen (teclados) e Tommy Kessler (guitarra) fazem do álbum o ponto de encontro para a chegada de um imenso time de colaboradores.

Das 11 faixas preenchem o disco, apenas duas contam com a assinatura de Chris Stein e Deborah Harry, junto do baterista Clem Burke, membros remanescentes da formação original do Blondie. No restante da obra, composições que se abrem para a chegada de veteranos como Johnny Marr (ex-The Smihts), autor de My Monster, ou mesmo novos representantes do pop-rock mundial, caso da britânica Charli XCX, colaboradora do francês Dimitri Tikovoï nos versos de Gravity, sétima faixa do álbum.

Surgem ainda nomes como Dave Sitek (TV On The Radio), artista responsável pela produção da enérgica Fun, música que mostra o lado mais intenso e pop do grupo nova-iorquino, transportando o ouvinte diretamente para o começo dos anos 1980. O mesmo cuidado se repete em Already Naked, música que se abre para a chegada de Lucian Piane, compositor responsável pela trilha sonora do filme Hairspray (2007) e parceiro de produção em grande parte dos musicais do reality show RuPaul’s Drag Race.

Entretanto, mesmo nesse universo de colaborações, ninguém parece entender tão bem o trabalho do Blondie quanto Dev Heynes em Long Time. inspirada no clássico Heart of Glass, de 1979, a canção escrita em parceria com Harry se espalha em meio a sintetizadores e versos dolorosamente dançantes, resultando em uma bem-sucedida extensão da parceria entre Heynes e a cantora em E.V.P., uma das principais composições do terceiro álbum de estúdio do Blood Orange, Freetown Sound (2016).

Interessante notar que mesmo a forte interferência ao longo do registro não impede Pollinator perca fôlego em suas últimas composições. Salve a intensa adaptação de Fragments, música originalmente lançada em 2010 como parte do projeto an Unkindness, toda a segunda porção do álbum custa a impressionar o ouvinte. Um claro desequilíbrio, mas que acaba não prejudicando a total execução da obra, possivelmente o melhor trabalho do Blondie nos últimos 30 anos.

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