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Resenha: “Pretty Years”, Cymbals Eat Guitars

Artista: Cymbals Eat Guitars
Gênero: Indie Rock, Alternativo, Rock
Acesse: http://cymbalseatguitars.com/

 

Perto de completar uma década de carreira, os integrantes do Cymbals Eat Guitars parecem longe de alcançar uma possível zona de conforto. Inspirada pelo trabalho de grupos como Modest Mouse, The Wrens, Built To Spill e outros veteranos do rock alternativo dos anos 1990/2000, a banda de origem nova-iorquina deu vida a uma sequência de grandes obras, encontrando no quarto registro de inéditas, o recente Pretty Years (2016, Sinderlyn), a ponte para um novo universo de referências e possibilidades.

Sucessor do elogiado LOSE — 41º colocado na nossa lista dos 50 Melhores Discos Internacionais de 2014 —, o novo álbum nasce como uma declarada fuga dos temas melódicos e diálogos com o pop explorados pelo grupo há dois anos. Raivosas, guitarras e vozes se esbarram a todo instante, resultando em um trabalho de essência ruidosa, caótico, mesmo na adaptação declarado de temas nostálgicos e arranjos inspirados no trabalho de veteranos como David Bowie, The Cure e The Smiths.

Parte da força que move o presente trabalho surge da clara interferência de John Congleton como produtor do disco. Um dos responsáveis pela construção de uma série de obras recentes – como Boy King (2016) do Wild Beasts e Abyss (2015) da cantora Chelsea Wolfe –, Congleton se concentra na montagem de um registro dinâmico, urgente, proposta também explícita em outros discos produzidos pelo norte-americano, caso do último álbum de estúdio de St. Vincent, lançado em 2014.

Assim como nos primeiros registros da banda – Why There Are Mountains (2009) e Lenses Alien (2011) –, o grande acerto do presente disco está na construção de músicas grandiosas, quase épicas. Seguindo a trilha de outras composições produzidas pelo grupo, caso de And The Hazy Sea e Indiana, faixa após faixa, a banda – formada por Joseph D’Agostino, Andrew Dole, Matt Whipple e Brian Hamilton –, costura vozes, batidas, berros e guitarras marcadas de forma explícita pelo peso das distorções e ruídos.

Um bom exemplo disso está em 4th Of July, Philadelphia (SANDY). Sexta faixa do disco, a canção de versos explosivos, respiros angustiados e guitarras marcadas pelo uso de efeitos delicadamente explora um passado ainda recente da música norte-americana, mergulhando de cabeça na primeira metade dos anos 2000. Da forma como os vocais em coro flutuam ao fundo da canção, passando pelas sobrecargas de ruídos, todos os elementos apontam para a obra de grupos como The Wrens e American Football.

Finally emenda em Have a Heart, o saxofone à la David Bowie de Wish serve de ponte para a sombria Close – música que poderia ser de Robert Smith –, enquanto as batidas rápidas de Beam estabelecem um diálogo contrastado com a melancolia de Mallwalking. Em pouco mais de 40 minutos, os integrantes do Cymbals Eat Guitars não apenas incorporam novas sonoridades, como ainda provam de velhas referências de forma renovada, autoral, fazendo de Pretty Years uma obra intensa do primeiro ao último instante.

 

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Pretty Years (2016, Sinderlyn)

Nota: 8.0
Para quem gosta de: The Wrens, Cloud Nothings e A Sunny Day In Glasgow
Ouça: 4th Of July, Philadelphia (SANDY), Wish e Have a Heart