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Resenha: “Puberty 2”, Mitski

Artista: Mitski
Gênero: Indie Rock, Alternative, Rock
Acesse: http://mitski.com/

Em um intervalo de apenas três anos, Mitski Miyawaki deu vida a três registros completamente distintos. O inaugural Lush, em 2012, Retired from Sad. New Career in Business, de 2013 e Bury Me At Makeout Creek, entregue ao público em 2014. Uma coleção de faixas repletas de temas confessionais, discussões sobre a vida sentimental da cantora e tormentos existencialistas que se revelam de forma ainda mais complexa com a chegada de Puberty 2 (2016, Dead Oceans), quarto e mais recente álbum de inéditas da cantora.

Trabalho mais complexo de toda a discografia de Mitski, o registro de 11 faixas e pouco mais de 30 minutos de duração nasce como uma extensão madura do som desenvolvido em Bury Me at Makeout Creek. Guitarras que flertam com a produção ruidosa de diferentes álbuns produzidos no começo da década de 1990 – como Dry (1992) e Rid of Me (1993) da britânica PJ Harvey –, mas que a todo momento incorporam pequenos experimentos e colagens eletrônicas que afastam a artista de uma possível zona de conforto.

Um bom exemplo disso está na inaugural Happy. Enquanto os versos exploram o peso da felicidade na vida de qualquer indivíduo – “A alegria veio me visitar, ela comprou biscoitos no caminho / Eu lhe servi chá e ela me disse que tudo vai ficar bem”–, musicalmente, Mitski dá um salto. Da bateria eletrônica que abre e finaliza a canção, passando pelo jogo de guitarras dançantes, até alcançar o saxofone que orienta os instantes finais da música, uma chuva de pequenos detalhes delicadamente cobre toda a extensão da faixa, grandiosa a cada novo ruído ou encaixe eletrônico.

Movida pela mesma herança musical de artistas como Waxahatchee, Sharon Van Etten e Torres, a cantora acerta ao fazer de cada composição um ato isolado. Enquanto músicas como My Body’s Made of Crushed Little Stars e A Loving Feeling exploram o mesmo conceito “caseiro” dos dois primeiros álbuns da cantora, faixas como Crack Baby e Happy indicam um maior refinamento, flertando com novos estilos, como se mesmo segura da própria sonoridade, Mitski buscasse por novas sonoridades.

Em se tratando da poesia do disco, Puberty 2 confirma o crescimento de Mitski. “Se eu pudesse, eu seria sua pequena colher / E beijar seus dedos para sempre / Mas você, colher grande, tem muito o que fazer”, canta na densa American Girl. Quinta faixa do disco, a canção mostra a força das palavras no interior da obra, incorporando de forma sufocante a temática de um relacionamento marcado pelas ilusões (“Você é a única / Você é tudo que eu sempre quis / Acho que vou me arrepender disso”).

Durante toda a construção da obra, Mitski se projeta não como uma protagonista, mas como um instrumento de conexão entre a obra e o ouvinte. Em meio a composições perfumadas pela saudade (Fireworks), relacionamentos fracassados (A Loving Feeling) e conflitos pessoais (Once More to See You), a cantora fragmenta a própria essência, criando uma obra que se mantém próxima do ouvinte até o verso final de A Burning Hill, faixa de encerramento do disco.

 

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Puberty 2 (2016, Dead Oceans)

Nota: 8.6
Para quem gosta de: St. Vincent, Waxahatchee e Sharon Van Etten
Ouça: Happy, American Girl e Fireworks

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