"Quazarz: Born on a Gangster Star / Quazarz vs. The Jealous Machines"

Ano: 2017
Selo: Sub Pop
Gênero: Hip-Hop, Rap, Jazz
Para quem gosta de: Flying Lotus e Thundercat
Ouça: Shine a Light e Effeminence
Nota: 7.8 / 8.0

Resenha: “Quazarz: Born on a Gangster Star” / “Quazarz vs. The Jealous Machines”, Shabazz Palaces

Se o céu é o limite, Ishmael Butler e Tendai Maraire conseguiram ir além. Prova disso está na sonoridade cósmica e viagens interplanetárias que marcam o experimental Lese Majesty (2014), segundo álbum de estúdio do Shabazz Palaces uma clara transformação quando voltamos os ouvidos para o primeiro registro de inéditas da dupla norte-americana, Black Up (2011). A busca declarada por um som marcado pela psicodelia e novas possibilidades, projeto que acabou levantando a questão: qual será o próximo passo?

A resposta chega de maneira ainda incerta nas canções de Quazarz: Born on a Gangster Star e Quazarz vs. The Jealous Machines. Produzidos e gravados paralelamente, em um curto espaço de tempos, os dois registros seguem um fluxo distinto em relação aos últimos trabalhos do Shabazz Palaces. Com Maraire em segundo plano, Butler, aqui apresentado sob o título de Palaceer Lazaro, faz de cada composição um invento particular, passagem para a chegada de um time de novos colaboradores.

Primeiro registro anunciado ao público, Quazarz: Born on a Gangster Star talvez seja o trabalho em que o Shabazz Palaces mais se distancia da própria discografia. Ainda que a capa do disco pareça apontar para o mesmo conceito cósmico de Lese Majesty — trabalho que conta com a assinatura de Isvald Klincels e Barbara Jean —, sobrevive no peso das batidas e ruídos a formação de uma atmosfera urbana. Um som denso, forte, conceito reforçado na lenta sobreposição de When Cats Claw ou mesmo na empoeirada Shine a Light, música que parece produzida pelo veterano Madlib.

Parte desse resultado vem da forte interferência de um poderoso time de colaboradores. São nomes como Thundercat, Thaddillac, Loud Eyes Lou, Darrius e The Knife Knight, responsáveis por completar as lacunas instrumentais e rimas centradas no protagonista Quazarz, um viajante do espaço. Parceiro em outros trabalhos do Shabazz Palaces, Erik Blood também assume um papel fundamental para o crescimento do álbum, ocupando o espaço antes dominado pela produção e experimentos percussivos de Maraire.

Trabalho que mais se aproxima do último álbum do Shabazz Palaces, Quazarz vs. The Jealous Machines repete a mesma ambientação etérea e delírios psicodélicos explorados há três anos. Não por acaso, Butler e Maraire se encontram em estúdio, resgatando a mesma essência instrumental e poética que cresce desde o inaugural Black Up. O resultado está na composição de um trabalho marcado pela leveza dos arranjos e maior polimento dos versos, cuidado explícito em músicas músicas como Effeminence, Love in the time of Kanye, 30 Clip Extension e Atlaantis.

Da curiosa ilustração que estampa a capa do álbum — projeto assinado pelo ilustrador Joshua Ray Stephens —, passando pelo time de produtores e músicos que recheiam o disco — caso de John Kirby, Stewart Levine e Amir Yaghmai —, Butler atravessa o registro cercado de novos colaboradores, indicando o esforço do produtor/rapper em expandir conceitualmente o próprio universo musical. Duas obras, um mesmo personagem e o contínuo esforço do Shabazz Palaces em se reinventar.