"RINA"

Rina Sawayama

Ano: 2017
Selo: Independente
Gênero: Pop Rock, R&B
Para quem gosta de: Sky Ferreira e Charli XCX
Ouça: Cyber Stockholm Syndrome
Nota: 8.0

Resenha: “RINA”, Rina Sawayama

A grande beleza de RINA (2017, Independente), primeiro (mini-)álbum da cantora e compositora Rina Sawayama, está no esforço da artista em fazer de cada composição um fragmento precioso. Sem necessariamente provar de um gênero específico, faixa após faixa, a jovem original de Niigata, no Japão, se entrega ao desvendar de novas possibilidades e ritmos, costurando diferentes décadas de referências de forma sempre curiosa, como se o pop-rock dos anos 1980/1990 fosse trabalhado em uma linguagem autoral, cuidado evidente logo na abertura do disco com Ordinary Superstar.

Entre sintetizadores mágicos e vozes em coro que lembram Spice Girls em Viva Forever, batidas, guitarras carregadas de efeitos e inserções minuciosas apontam a direção seguida pela artista japonesa durante toda a execução do trabalho. Pouco mais de três minutos que Sawayama vai do pop descomplicado de Madonna em início de carreira ao som empoeirado de Ariel Rechtshaid, lembrando parte do material explorado por nomes como Sky Ferreira em Nigh Time, My Time (2013), e HAIM no debute Days Are Gone (2013).

Em Take Me As I Am, ecos de Britney Spears se encontram com uma produção coesa do colaborador Clarence Clarity, fazendo de cada instante um experimento curioso, pop e pegajoso. Frenética, a base da canção colide rock e R&B de forma sempre acessível, como se Sawayama fosse capaz de seduzir o ouvinte logo em uma primeira audição. Um cuidado que se reflete na canção seguinte do disco 10-20-40, faixa que soa como um improvável encontro entre Olivia Newton-John e Janet Jackson do álbum Control (1986).

As emoções são demais para mim / Então eu espalhei meu amor por meio de likes / Eu não saí de casa na última semana / Mas eu sei o que você fez noite passada“, entrega a letra agridoce Tunnel Vision, bem-sucedido encontro com Shamir que resgata décadas do R&B norte-americano em poucos segundos. Um passeio que vai do homônimo debute de Mairah Carey, em 1990, ao fino exercício criativo de Solange no ótimo True EP (2012), referencia evidente durante toda a execução do trabalho.

Com a chegada de Time Out, junto de Through The Wire, um dos dois interlúdios do mini-álbum, Sawayama dá início ao bloco mais inventivo da obra. Prova disso está na enérgica Afterlife. Mais uma vez íntima do som que vem sendo produzido por Sky Ferreira desde Ghost EP (2012), a canção dominada por guitarras e temas oitentistas cresce de forma hipnótica, detalhando uma coleção de versos pegajosos e pequenas curvas criativas que transportam o ouvinte para diferentes territórios e tendências, como se décadas de produção musical fossem compiladas em um mesmo bloco de experiências.

Escolhida para o encerramento da obra, Cyber Stockholm Syndrome talvez seja a composição que melhor sintetiza toda a pluralidade de temas e referências que abastecem o registro de Sawayama. Com produção assinada pelo londrino Hoost, a faixa de versos intimistas cresce em uma espiral de melodias eletrônicas, flertes com o R&B e pequenas articulações instrumentais que mostram a grandeza da cantora. Uma explosão de arranjos e versos coloridos que não apenas garante o fechamento ideal para o disco, como prepara o caminho para os futuros trabalhos da cantora.

 

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