"Rio Sem Nome"

Ano: 2017
Selo: Geração Perdida
Gênero: Experimental, Eletrônica
Para quem gosta de: Sentidor, El Toro Fuerte
Ouça: Cosmorama, Teca
Nota: 7.5

Resenha: “Rio Sem Nome”, Rio Sem Nome

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Os últimos meses foram bastante produtivos para o cantor e produtor mineiro João Carvalho. Ao lado dos parceiros da El Toro Fuerte, um universo de confissões intimistas, medos e tormentos que marcam as composições do inaugural Um Tempo Lindo Pra Estar Vivo (2016). Em carreira solo, a passagem para um ambiente etéreo, marcado pelo uso de temas eletrônicos e minimalistas que alimentam as canções de Memoro Fantomo_Rio Preto (2016), mais recente trabalho do músico como Sentidor.

Ponto de encontro entre esses dois universos, Rio Sem Nome (2016, Geração Perdida), novo registro autoral de Carvalho, mostra o esforço do artista mineiro em explorar novas sensações e temas intimistas, porém, mantendo firme a mesma atmosfera que orienta as músicas do Sentidor. Em um intervalo de 50 minutos e apenas dez faixas, memórias de um passado ainda recente, angústias e declarações de amor se espalham em meio a sintetizadores e texturas eletrônicas.

Produzido e gravada durante a turnê “Bons Amigos, Maus Hábitos”, projeto que envolveu os integrantes da El Toro Fuerte, Jonathan Tadeu, Fernando Motta e Sentidor em uma série de apresentações por diversas cidades do Nordeste do país, a estreia de Carvalho como Rio Sem Nome cresce com leveza, em uma medida própria de tempo. São canções extensas, algumas com mais de seis minutos, em que a voz arrastada do artista se apoia em uma poesia sensível, preciosa, movida em essência pela saudade.

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Dói mais é tão bom / Seu sonho pode ser minha raiz / Meu sonho sempre foi tudo que eu fiz / Não te assusta com a ferida aberta”, canta na delicada Cosmorama, composição que utiliza de uma melodia ensolarada, crescente, de forma a contrastar com a letra dolorosa lançada por Carvalho. O mesmo conceito sorumbático acaba se repetindo em outros instantes do disco, caso de Liberdade, nona faixa do disco e, principalmente, na dolorosa Teca – “E eu nunca mais senti / Outra saudade tão fria assim”.

Salve a ausência de ritmo que marca os primeiros minutos da obra, efeito da forte carga melancólica que rege o trabalho, além, claro da voz arrastada que se espalha de forma penosa em músicas como A História Não Nos Redimirá e Tempo, a estreia de Carvalho como Rio Sem Nome cresce de forma coesa. No interior de cada canção, temas eletrônicos e colagens instrumentais que detalham parte das influências do músico mineiro, como uma versão ampliada do mesmo material produzido há poucos meses Memoro Fantomo_Rio Preto.

Em uma arquitetura crescente, cada composição ao longo do disco acaba servindo de base para a faixa seguinte. Não por acaso, Carvalho se esquiva das batidas nas primeiras canções do disco, reservando para os instantes finais do trabalho a construção de um som catártico, ponto de partida para a formação de músicas como Teca e a derradeira Alvorada. Arranjos, melodias e vozes que fazem do Rio Sem Nome um novo e precioso experimento do artista mineiro.

 

 

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