"Rock Island"

Palm

Ano: 2018
Selo: Carpark Records
Gênero: Indie Rock, Art Rock, Experimental
Para quem gosta de: Marnie Stern e Animal Collective
Ouça: Composite e Pearly
Nota: 7.5

Resenha: “Rock Island”, Palm

Com o lançamento de Shadow Expert EP, em junho do último ano, Eve Alpert (guitarra, voz), Kasra Kurt (guitarra, voz), Gerasimos Livitsanos (baixo) e Hugo Stanley (bateria) pareciam resumir mudança de direção assumida pelos integrantes do Palm. A busca declarada por um som marcado pela pluralidade dos elementos e possibilidades dentro de estúdio, proposta que se repete com naturalidade dentro de segundo álbum de inéditas da banda original de Filadélfia, Pensilvânia, o colorido Rock Island (2018, Carpark Records).

Fuga do óbvio, o trabalho de 11 faixas sutilmente amplia o universo explorado pela banda desde a estreia com Trading Basics (2015). São vozes em coro, fragmentos psicodélicos, referências ao trabalho de veteranos como The Beach Boys, além de arranjos cíclicos que não apenas prendem a atenção do ouvinte, como parecem pensados para causar desconforto, lembrando o Animal Collective em obras como Sung Tongs (2004) e Strawberry Jam (2007).

Como indicado durante o lançamento da versátil Pearly, composição escolhida para apresentar o novo disco, melodias eletroacústicas costuram diferentes décadas, gêneros e preferências de forma propositadamente instável, como um permanente estágio de reinvenção dentro da obra. Um pop torto, estranho, porém, hipnótico, como camadas a serem desvendadas pelo ouvinte, fazendo da audição em Rock Island uma experiência curiosa.

Perfeita representação desse imenso catálogo de ideias se reflete na quarta faixa do álbum, Forced Hand. Do vocal andrógino que ganha forma lentamente, passando pela soma de guitarras tortas, sintetizadores e arranjos que se repetem a todo instante, cada segundo da composição parece jogar com a percepção do ouvinte, resultando em um verdadeiro turbilhão instrumental, como um encontro improvável entre Marnie Stern e o Battles do álbum Mirrored (2007).

Mesmo dentro desse universo mágico e complexo, nítido é o esforço do quarteto norte-americano em criar pequenas brechas criativas capazes de dialogar com uma parcela maior do público. Prova disso está na segunda canção do álbum, Composite. Em um intervalo de apenas quatro minutos, décadas de referências se dobram de forma a favorecer o art-pop-psicodélico testado pela banda, como uma curiosa tentativa do grupo em adaptar o mesmo som harmônico detalhado pelos Beatles e demais conterrâneos da década de 1960.

Importante notar que mesmo diverso na composição dos arranjos e versos que ganham espaço a cada novo fragmento do disco, Rock Island está longe de parecer um acerto completo. Não há como negar que a estrutura quebrada das guitarras acaba se repetindo em diversos momentos no decorrer da obra, como se o quarteto fosse incapaz de ultrapassar um limite definido logo nos primeiros instantes do álbum, sufocando o ouvinte ao mesmo tempo em que é conduzido em direção ao fechamento do trabalho.