"Room Inside the World"

Ano: 2018
Selo: Merge Records / Royal Mountain Records
Gênero: Pós-Punk, Rock Alternativo
Para quem gosta de: Parquet Courts e Preoccupations
Ouça: Desire e Take Everything
Nota: 7.5

Resenha: “Room Inside the World”, Ought

A viagem do Ought em direção ao passado parece longe de chegar ao fim. Depois de flertar com o pós-punk nova-iorquino em More than Any Other Day (2014) e provar de novas sonoridades durante o lançamento do segundo álbum de inéditas, Sun Coming Down (2015), Tim Darcy (guitarras, voz), Matt May (teclados), Ben Stidworthy (baixo) e Tim Keen (bateria) estão de volta com um novo (e nostálgico) registro autoral: Room Inside the World (2018, Merge Records / Royal Mountain Records).

Inaugurado pelas guitarras e canto soturno em Into The Sea, Room Inside the World não precisa de muito esforço até se revelar por completo para o ouvinte. Trata-se de uma obra marcada pela força dos sentimentos e profunda sensibilidade detalhada nos versos. Musicalmente, um trabalho “linear” quando próximo dos últimos dois discos da banda, porém, maduro em se tratando dos versos, vide a letra repleta de significados ocultos na segunda faixa do disco, Disgraced In America.

Com a chegada de Disaffectation, terceira canção do álbum, uma clara tradução das principais referências da banda. São pouco mais de quatro minutos em que veteranos como Gang of Four, Joy Division e The Fall “se encontram” dentro de estúdio. Pequenas variações rítmicas que acabam servindo de base para a também versátil These 3 Things, música que parece dialogar com o trabalho dos Strokes em obras como Is This It (2001) e Room On Fire (2003), efeito das guitarras e inserções eletrônicas.

Faixa mais extensa do disco, Desire talvez seja a composição que melhor reflete o aspecto sentimental e força criativa de Room Inside the World. São fragmentos que retratam os encontros e desencontros de um casal de forma descritiva e dramática, postura reforçada no canto melancólico de Darcy. Um som doloroso, propositadamente arrastado, completo pela lenta inserção dos arranjos que abastecem a faixa seguinte do álbum, a também entristecida Brief Shield.

Em Take Everything, sétima faixa do disco, uma parcial mudança de direção. Trata-se de uma composição que parece emular a obra dos Smiths, conceito reforçado na inserção de guitarras que parecem assinadas por Johnny Marr. Uma faixa crescente, forte, oposto ao material entregue logo em sequência com Pieces Wasted, experimento psicodélico que lembra o Deerhunter, parceiros de longa data do experiente Nicolas Vernhes, artista convidado para trabalhar na produção de Room Inside the World.

Escolhida para o encerramento do disco, Alice garante um fechamento coeso para a obra. Pouco mais de quatro minutos em que guitarras climáticas e versos pontuais se revelam ao público em pequenas doses, convidando o ouvinte a se perder em um oceano de desilusões e sentimentos confessos, como uma contínua transformação de tudo aquilo que vem sendo explorado pelo quarteto canadense desde a faixa de abertura do trabalho.

 


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