"Rotations"

Golden Retriever

Ano: 2017
Selo: Thrill Jockey
Gênero: Experimental, Ambient, Jazz
Para quem gosta de: Bing & Ruth e Collin Stetson
Ouça: A Kind of Leaving e Sunsight
Nota: 8.0

Resenha: “Rotations”, Golden Retriever

Traduzir o som produzido pela dupla Jonathan Sielaff e Matt Carlson no Golden Retriever está longe de parecer uma tarefa simples. Ainda que o rótulo de “experimental” surja com naturalidade na cabeça do ouvinte, sobrevive no trabalho assinado pelos músicos de Portland, Oregon, um ambiente marcado pela completa mutabilidade dos arranjos, proposta que costura elementos do jazz, música ambiente, eletrônica e temas psicodélicos de forma sempre curiosa, inventiva.

Trabalho mais completo da dupla até aqui, Rotations (2017, Thrill Jockey) não apenas preserva a essência dos últimos registros de inéditas da dupla, Occupied with the Unspoken (2012) e Seer (2014), como ainda transporta o ouvinte para um novo mundo de sensações. São apenas seis composições, pouco mais de 35 minutos de duração em que Sielaff e Carlson buscam se reinventar dentro de estúdio, flertando com elementos da música de câmara e ambientações típicas da década de 1970.

Inaugurado pela efêmera Pelagic Tremor, Rotations posiciona o ouvinte no interior da obra sem grandes esforços. Uma densa base atmosférica que nasce da lenta sobreposição de pianos, sonoridade que muito se aproxima dos trabalhos de Bing & Ruth. Nesse curto intervalo, sintetizadores coloridos e inserções minimalistas detalham um rico pano de fundo instrumental, como texturas e maquinações labirínticas, resultando em uma madura continuação do som alcançado em Seer.

Em A Kind of Leaving, o duo norte-americano flutua entre a completa leveza dos pianos e a rica base atmosférica que cresce no clarinete de Sielaff. No decorrer da faixa, pinceladas eletrônicas e efeitos ampliam o território desbravado pela dupla, criando uma passagem para o terreno experimental da faixa seguinte, Tessellation. São pouco mais de sete minutos em que ambientações etéreas esbarram na obra de Tangerine Dream, Cluster e outros gigantes da música ambiental produzida há mais de quatro décadas.

Quarta composição do disco, Thirty-Six Stratagems mostra o que há de mais experimental no material produzido pela dupla. Um som ruidoso, caótico, como um agregado de cacos instrumentais. Interessante perceber na faixa seguinte do disco, Thread of Light, um ato de pura leveza. De essência jazzística, a música de quase cinco minutos se espalha sem pressa, detalhando pianos e metais com extrema delicadeza, como uma extensão natural do primeiro ato do disco.

Para o encerramento do trabalho, Sielaff e Carlson se concentram na produção da melódica e extensa Sunsight. Entre pinceladas acústicas, ruídos e bases densas, o duo norte-americano parece confortar o ouvinte, pintando um rico quadro instrumental, por vezes íntimo de elementos do soft-rock e todo o romantismo que marca o início dos anos 1980. Um fechamento sutil, como um complemento direto ao som explorado pela dupla desde a inaugural Pelagic Tremor.

 

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